Com o avanço da tecnologia, um único espermatozóide produzido por um homem antes considerado infértil, pode gerar um bebê
Atualmente há uma evolução bastante grande no que diz respeito à colheita de espermatozóides. Mesmo os homens que eram considerados inférteis porque não tinham espermatozóides já podem, através de uma nova técnica de inseminação chamada Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI).
Esta afirmação é dos médicos Aguinaldo Nardi, urologista e Eduardo Crivelari Baisch, esterileuta, da Clínica Gestar.
Esta técnica, de acordo com Nardi, é muito importante. Acredito que essa possibilidade de homens considerados inférteis terem um filho com a colheita de um único espermatozóide, seja fantástica, disse.
Ele explicou também sobre uma técnica experimental que é a do amadurecimento do espermatozóide. Se o espermatozóide coletado do testículo de um homem na sua forma jovem, ele pode ser colocado num ambiente químico sofrendo uma maturação, ou seja, o desenvolvimento, afirmou.
A coleta pode ser feita através de punção ou de uma abertura do testículo para a procura de uma área onde existam mais espermatozóides.
A técnica ICSI, realizada na Clínica Gestar, requer aparelhos de alta tecnologia, como microscópicos e micromanipuladores, onde o embriologista introduz um único espermatozóide dentro do óvulo, tornando possível a fertilização. O método exige um preparo que representa a indução da ovulação e a coleta de óvulos e espermatozóides para posterior manipulação.
Estas microtécnicas permitem tratar, não apenas os pacientes com pequeno número de espermatozóides, mas também aqueles que apresentam obstrução do canal deferente, patológica ou secundária à vasectomia.
O resultado desta técnica, se dá no âmbito da fecundação, isto é, se obtém 70% em média de fertilização dos óvulos injetados, mas os resultados de gravidez são iguais aos da fertilização in vitro convencional, ou seja 30% por transferência de embriões.
Avanços importantes baseados na pesquisa da fertilidade têm sido desenvolvidos nos últimos anos. Novidades nas áreas de medicação, cirurgia, fertiIização assistida, oferecem novas esperanças.
A maioria dos especialistas consegue hoje, identificar fatores que diminuem a fertilidade, e a maioria são tratáveis.
A gravidez é possível para a maioria dos pacientes em tratamento. O casal com alteração da fertilidade deve ser submetido a uma investigação completa para determinar o porque do problema e o que poderá ser feito. Serão submetidos a uma série de exames que vão requerer do casal um investimento de tempo, dinheiro, energia física e emocional.
A avaliação e o tratamento não garantem resultados. Nem todo casal conseguirá uma gravidez, mas todos ganharão um melhor entendimento do porque são inférteis.
Estatísticas realizadas mostram que aproximadamente um casal em sete é infértil entre 30 e 34 anos, um em cinco de 35 a 39 anos e um em quatro entre 40 e 44 anos.
Um excelente estudo feito na Inglaterra indica as seguintes causas e freqüência da infertilidade:
endometriose - 28%problemas do esperma - 21%problemas de ovulação - 18%lesão tubária - 14%problemas sexuais - 6%problemas do colo do útero - 3%outros problemas masculinos - 2%causas inexplicáveis - 6%
Os médicos devem ter quatro objetivos em mente quando iniciam um tratamento:
1) Pesquisar e tratar as causas de infertilidade. Com avaliação e tratamento adequados, mais da metade dos casais conseguirão gravidez2)Fornecer informação farta e atualizada, para evitar má informação comumente dada por amigos, parentes e principalmente vinda da má utiIização dos meios de comunicação3) Apoiar psicologicamente o casal durante todos os períodos de pesquisa e tratamento, seja pelo apoio do próprio médico, seja pelo encaminhamento a um terapeuta especializado quando necessário4)Saber aconselhar o casal o momento de desistir, seja pela impossibilidade de transpor o problema, seja pelo apoio dado no caso da desistência do casal
O que é ser infértil?
Um casal é considerado infértil, quando uma gravidez não ocorre no período de um ano e meio de vida sexual sem uso de contracepção.
O que é ser fértil?
Ser fértil é ter a capacidade de produzir uma gravidez e levá-la até o nascimento de uma criança saudável. Um casal com fertilidade comprovada, a cada ciclo tem uma chance de 21% a 28% de conseguir uma gravidez que vá ate o final. Dentro deste conceito e com esses valores vemos que um nascimento na espécie humana não é tão simples como se imagina.
Causas da esterilidade
A fecundação natural resulta do encontro, na trompa, de duas células: o ovócito vindo da mãe, e do espermatozóide, vindo do pai. A célula materna ou óvulo se encontra no folículo, pequeno cisto que se desenvolve no interior do ovário. O crescimento do folículo e o amadurecimento do óvulo se dá as custas dos hormônios folículo-estimulante (FHS) e luteinizante (LH) que são produzidos pela hipófise, cujo funcionamento é comandado pelo cérebro. No meio do ciclo menstrual um sinal chamado pico do LH, vai produzir a ovulação, isto é, a liberação do conteúdo folicular e do óvulo no abdômen, sendo então captado pela trompa.
Os espermatozóides são produzidos de maneira contínua no interior do testículo. Aí passam para o epidídimo e canal deferente, onde são armazenados. No momento da ejacuIação eles se juntarão ao líquido da próstata e da vesícula seminal e serão então lançados ao exterior.
Os espermatozóides lançados na vagina durante o ato sexual vão entrar em contato com o colo do útero. A entrada dentro do útero é facilitada pela secreção do muco, que produzida pelo colo permite a penetração dos espermatozóides da vagina para a cavidade. No útero os espermatozóides sofrem uma espécie de transformação, chamada capacitação, que os tornarão aptos a fecundação do óvulo.
O encontro dos espermatozóides e do óvulo se dá na trompa. A penetração de um espermatozóide no óvulo é chamada de fecundação.
O óvulo fecundado vai se dividir em várias células levando à formação do embrião, que é alimentado pela trompa durante mais ou menos 72 horas, quando então chega a cavidade uterina. O embrião vai se implantar na mucosa uterina, processo este chamado nidação, que marca o início da gravidez.
Visto isto, tudo aquilo que se colocar como impedimento a produção, transporte, e encontro dos gametas, será capaz de levar a uma alteração da fertilidade.