Todo homem pelo menos uma vez na vida deve ter feito a pergunta do título. O pai da psicanálise Sigmund Freud, também a fez e morreu sem obter a resposta. Ninguém tem dúvidas de que homens e mulheres pensam de maneiras diferentes e, muitas vezes, opostas. Em algumas situações, porém, essas divergências de opiniões e pontos de vista parecem crescer e se transformar em enormes abismos onde as atitudes do sexo oposto parecem imcompreensíveis para os homens (a recíproca também deve ser verdadeira). Mas afinal, por que é tão difícil dos homens entenderem as mulheres? No filme Do que as Mulheres Gostam, o personagem vivido por Mel Gibson sofre um acidente e passa a ouvir os pensamentos das mulheres, entrando num universo que, até então, ele não conhecia direito. Como fora das telas tal feito é impossível, o Caderno Ser perguntou para 30 homens de diversas idades, classes sociais e níveis de escolaridade, quais eram suas principais dúvidas sobre o comportamento feminino.
O resultado foram diversas dúvidas que puderam ser resumidas em cinco questões básicas:
1- Por que as mulheres choram tanto e se emocionam tão fácil? 2- Por que elas são tão exigentes?3 - Por que dissimulam tanto os seus sentimentos? 4- Por que só querem saber dos homens bem-sucedidos?5 - Por que levam tudo tão a sério no amor?
As psicólogas e psicoterapeutas Maria Regina Corrêa Lopes Vanin e Telma Regina Toniol responderam as perguntas e concluíram que, o universo feminino é um mistério para os homens porque eles esperam que as mulheres pensem, se comuniquem e reajam, da mesma maneira que eles, enquanto as mulheres, crentes no amor dos parceiros, esperam deles reações compatíveis com as suas, com as de alguém que está amando.
A solução é o equilíbrio e o respeito. Antes de se procurar uma resposta para o entendimento, é preciso estar aberto para aceitar outras opiniões, já que o objetivo nunca deve ser convencer o outro de que ele está errado. Homens e mulheres são diferentes por natureza e vão sofrer menos frustrações se se respeitarem mutuamente, afirma Telma Toniol.
Choro
Queria saber porque minha namorada é tão sensível, tão emotiva, diz o projetista Amadeu Oliveira. Ela chora por qualquer coisa e, às vezes, eu acho que isso tem a ver comigo, completa. A dúvida masculina tem explicação na maneira distinta em que os dois sexos pensam. Enquanto as mulheres são movidas pela emoção, os homens são guiados pela razão. Isso faz com que elas invistam na comunicação quando querer oferecer ajuda ao passo que o homem, mas prático, quer ir direto ao ponto. Quando isso acontece é comum que as mulheres se sintam barradas, impedidas de se expressar e não raramente o resultado são as lágrimas e a frustração, o que irrita os perceiros.
O excesso de emotividade também está ligada à forma como as mulheres são criadas, lembra Regina Vanin. Para elas é mais permitido chorar desde pequena, diz. É por isso que, geralmente, enquanto estão achando aquele filme romântico entediante, os rapazes se viram e encontram suas namoradas se desfazendo em lágrimas. Os meninos precisam engolir o choro desde pequeno porque homem não chora, explica a psicóloga.
Cobrança
Nunca disse para a minha noiva como ela deveria se vestir, mesmo quando eu acho que ela está pelada demais. No entanto, se eu saiu com uma camiseta que ela acha feia, fica me enchendo, até eu trocar de roupa, reclama o bancário Sérgio Paes. Segundo Telma Toniol, o fato das mulheres parecerem mais cobradoras do que os homens está diretamente ligado à maneira como eles se comunicam. As mulheres têm necessidade de conversar sobre o que as incomodam, os homens preferem pensar silenciosamente, explica.
Outra razão para as constantes reclamações e cobranças das quais os homens fogem é capacidade de cuidar que a mulher desenvolveu através dos séculos. Para elas, o fato de falar o que incomoda é mais um sinal de atenção e solicitude do que uma cobrança. É um sinal de preocupação com a pessoa, elas acreditam que as suas críticas são construtivas e são feitas no sentido de favorecer o crescimento do parceiro, afirma Regina Vanin.
Falsidade?
Acho incompreensíveis as mulheres que jogam charme, mostram que estão a fim e depois te rejeitam, comenta o diagramador Fernando Souto Teixeira. O estudante Alexandre Silveira vai mais fundo. Não dá para confiar nas mulheres, elas são falsas, acredita.
O que os homens consideram dissimulação ou falsidade talvez deva ser visto como uma interpretação errada dos sentimentos femininos, já que muitas vezes as mulheres evitam falar a verdade para evitar frustrações dos parceiros. A insegurança também pode ser uma razão, se a mulher tiver medo de ser aceita pelo homem.
Para alguns pesquisadores austríacos, porém, as mulheres são manipuladoras e farsantes por natureza. Eles afirmam, em um estudo publicado na revista New Scientist, que as mulheres, casadas ou solteiras, tentam seduzir os homens para confundi-los. Segundo o professor Karl Grammer, do Instituto de Etiologia Urbana Ludwing Boltzmann e de sua equipe, as mulheres enviam um sinal não verbal oposto ao que desejam na realidade só para despistar os homens. A explicação para os pesquisadores está na biologia. Em termos biológicos, a mulher em uma relação tem mais a perder do que o homem. Por conseqüência, quando está com um homem desconhecido deve avaliá-lo previamente para saber se pode confiar nele e os sinais de sedução servem para confundi-lo e ganhar tempo, frisou Grammer.
Mas mesmo que esteja certos os estudos austríacos, a atitude feminina não pode ser interpretada como maldade. Mas, além da biologia, existe uma possibilidade histórica. As mulheres foram ensinadas a serem poucos assertivas porque sempre foram muito reprimidas e sempre fizeram o papel de presa, enquanto o homem era o caçador e como presa, o papel dela é se esquivar, lembra Regina Vanin. O fingir atual no jogo da sedução pode ser um resquício desse antigo costume.
Caça-níqueis
Quando não tinha carro, vivia sozinho. Depois que comprei um, nunca mais fiquei sem namorada e olha que o meu carro nem é zero, conta o escriturário Mário Sérgio Rodrigues. A valorização do sucesso é uma característica da sociedade em que vivemos e não só das mulheres. Isso faz com que os bens sucedidos sejam mais requisitados, diz Regina Vanin. Como a sociedade cobra o sucesso, principalmente o masculino, acaba sendo comum que a mulher também queira estar de acordo com a sociedade.
Existem casos em que a mulher quer pegar carona no sucesso do parceiro para suprir sua falta de realização pessoal ou até perpetuar o mito de que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher. Mas o que não pode ser esquecido também, é que, tradicionalmente, o homem sempre fez o papel do provedor, que garante o conforto da família, desde a idade da pedra.
Tudo sério
As mulheres só querem saber de namorar sério, de casar logo. Por que elas não querem aproveitar a vida, questiona o comerciante Edmar H. Tchara. A explicação para essa dúvida masculina também pode vir da biologia. As mulheres são mais pressionadas pelo seu relógio biológico a encontrarem logo o parceiro ideal porque não vão poder ter filhos para sempre. A seriedade nos relacionamentos também tem um fundo cultural porque até um passado recente, os relacionamentos das mulheres se limitavam à família, na qual ela era criada para se casar e ter filhos, diz Regina Vanin. É natural que levem as relações mais a sério.
O que elas querem
Quando são perguntadas sobre o que querem, as mulheres não fazem uma longa lista com itens impossíveis. Pelo contrário, ficam até num certo lugar comum de pedidos bastante compreensíveis.
Quero carinho, respeito e honestidadeLiziane Mereu Gomes, 20 anos, estudante
Sinceridade e fidelidade, principalmenteEloize de Souza Felipe, 20 anos, professora
Quero cumplicidade e a possibilidade de dialogar sempre. O resto vem como conseqüênciaNatália Geraldo, 29 anos, vendedora
Carinho, atenção, compreensão e uma situação estávelViviane Varaschim Santos, 23 anos, estudante
As mulheres querem se sentir respeitadas, importantes e terem o seu próprio espaçoSara Mosca, 21 anos, estudante
Amor, paz, carinho e respeito é o que nós queremos. Muitas vezes os homens não nos tratam assimLarissa Helen Ciciri, 17 anos, estudante