Os executivos da área de informática são os profissionais que mais tiveram os seus salários valorizados nos últimos anos. A constatação é de estudo da empresa de consultoria Deloitte Touche Tohmatsu, que analisou políticas, práticas e tendências na administração de recursos humanos, remuneração e benefícios do mercado em 201 empresas de variados segmentos e tamanhos. A liderança no ranking de salários, desde o início do Plano Real, dos cargos na área de informática, mostra que o setor também foi o mais produtivo dos últimos anos.
Desde 1994, o valor do salário de um executivo da área de informática chegou a ter reajuste de 170%, ou seja pulou de uma média de R$ 6.376,00, em julho de 94, para cerca de 17.152,00, em julho de 2000.
Com isso, o executivo de informática tornou-se campeão de aumento real de salários, desde o início do Plano Real entre os cargos do primeiro escalão, sendo que o aumento mais relevante aconteceu a partir de 1999.
Apenas para comparar, o salário médio do presidente, o mais alto da empresa, aumentou cerca de 135% no mesmo período. O mesmo estudo mostrou, também, que o diretor de informática de uma empresa é, atualmente, um dos cargos mais remunerados, perdendo apenas para o presidente, o vice-presidente e o diretor de Recursos Humanos.
A razão para tamanha valorização da categoria, segundo a consultora senior em gestão do capital humano da Deloitte, Delany Cutrim, é o aumento da necessidade das empresas em terem mais segurança sobre seus dados e informações.
Isso fez com que elas se atualizassem tecnologicamente, acompanhando a informatização que se tornou um item obrigatório para quem quer estar no mercado. O profissional dessa área tem uma posição estratégica dentro da empresa, tomando decisões sobre altos investimentos, como a aquisição de sistemas de informação, por exemplo, diz a consultora.
A valorização do profissional de informática confirma tendência de rápida modernização da economia brasileira e da crescente importância da área de tecnologia de informação nos resultados globais das empresas tanto de pequeno, médio e grande porte.
A produtividade do setor, segundo o conceito de faturamento médio por empregado, também foi a maior do ano, com uma variação de 114% de 1999 para 2000, superando os setores químico, petroquímico e alimentício, os que mais cresciam nos anos anteriores.
De acordo com Delany Cutrim, a perspectiva é que o setor de informática continue crescendo, como tem acontecido nos últimos sete anos e, com isso, os salários também aumentem, porque as empresas vão continuar tendo a necessidade de acompanhar os avanços da tecnologia.
Todas as empresas do mercado vão ter que se atualizar nessa questão. Por isso, a demanda dos profissionais qualificados da área no mercado vai aumentar e eles vão continuar sendo valorizados e absorvidos pelo mercado, sentencia a consultora.
O levantamento da Delloitte deste ano contou com empresas dos mais variados segmentos econômicos de todas as regiões do Brasil, responsáveis por um faturamento global de US$ 61 bilhões gerados por suas 353 unidades que empregam quase 500 mil funcionários distribuídos por 297 cargos.
As empresas pesquisadas possuem o seguinte perfil: 21% de pequeno, 35% de médio e 44% de grande porte, têm como principal origem de capital e nacional privado (52,7%); norte-americano (18,6%); alemão (10%); francês (3,1%); inglês (3%) e outros países (3,1%).
Por região, 40% das empresas estão localizadas em São Paulo; 16% no Nordeste; 15% no Sul (PR/SC/RS); 12% no Rio e Espírito Santo; 11% em Minas e Centro-Oeste; e 6% no Norte.