Geral

Memórias sufocadas

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Já porque Bauru se desenvolveu muito, demograficamente, nos últimos 30 anos e, nesse crescimento, se incluem milhares de advenas que, não tendo crescido aqui, nos antigos areais do nosso solo, obviamente desconhecem a história da cidade e de seus pró-homens, já também porque nas nossas escolas não se despertam devidamente as crianças de hoje para essas coisas, o fato é que bem pouca gente que se cruza por aí nas vias urbanas sabe quem foram, na ordem das coisas do lugar em que vivem e trabalham, nomes como Antônio Teixeira do Espírito Santo, Felicíssimo Antônio Pereira, Azarias Leite, Batista de Carvalho, Araújo Leite, Antônio Alves, Virgílio Malta, Gustavo Maciel, Gérson França, Saint Martin, Ernesto Monte, Machado de Mello, Alfredo Maia, Octávio Pinheiro Brisolla, José Fernandes, José da Silva Martha, José Gomes de Araújo, Agenor Meira, Paulino Raphael, Alfredo Ruiz, Carlos Fernandes de Paiva, Cussy Júnior, Rubens Arruda, Oswaldo Gaspar, José Ranieri, Luiz Zuiani, Jehovah de Oliveira, Correia das Neves, Antônio Bueno dos Santos (Broncolino), Edmundo Antunes, Ezequiel Ramos, Jorge de Castro, Marcondes Salgado, Olegário Machado, Guido Rugai, Salvador Filardi, Elias DAnunziata, Bernardino de Campos, Benedito Euleutério, João Simonetti, Correia Júnior e muitos outros que figuram na nomenclatura das nossas ruas, avenidas e praças.

E esse desconhecimento acontece porque as administrações municipais que Bauru teve, através dos tempos, não se preocuparam em fazer constar nas placas denominadoras dos logradouros a qualificação profissional dos vultos que lhes dão os nomes. Uma ou outra mostra esse detalhe, importante porque, além de pedagógico, realça permanentemente a memória dos homenageados. Para se ter uma idéia do mal por essa omissão produzido, basta atentar-se para o desprimoroso fato de que nem mesmo os moradores conhecem a procedência dos nomes das artérias em que residem. Sabem que moram na rua José Bastos, mas não sabem quem foi ele. Sabem que residem na rua Horácio Alves Cunha, mas ignoram quem ele era. Passam todo dia sobre o Viaduto João Simonetti e pela rua Afonso Simonetti, mas não têm idéia de quem foram esses personagens ou, ainda, transitam pela avenida Daniel Pacífico e desconhecem o que ele representou na vida da cidade. Daí sugerirmos que a Municipalidade corrija a omissão, refazendo tanto quanto possível as placas omissas, com a inscrição, nos respectivos rodapés, das funções de cada homenageado. É o que advogamos junto à atual administração municipal, como nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

Comentários

Comentários