Mais do que um simples ingresso mais barato, a meia-entrada é um caminho para ampliar os horizontes da juventude. Hoje, não dá para pensar a educação só como a dupla sala de aula / laboratório pois não existe formação completa sem cultura, esporte, lazer e turismo. Para fazer valer o direito de voar mais alto, de pensar maior, é preciso defender a meia-entrada.
A meia-entrada é uma grande conquista dos estudantes brasileiros. Faz parte de uma filosofia que não vê a formação do cidadão apenas num banco de escola. Educação é bem mais do que isso, é o acesso a atividades culturais e esportivas capazes de ampliar a sensibilidade, o conhecimento e a forma de ver o mundo. E mais: todas as pesquisas sobre a causa de violência entre os jovens apontam a falta de perspectiva e de opção de lazer como determinantes para a violência crescente, inclusive dentro das escolas. Como estimular alternativas concretas que canalizem a irreverência e energia juvenil, desviando-a do caminho das drogas e da violência, se não com acesso à cultura, ao esporte e ao lazer? Por isso a carteira de identificação estudantil da UNE e da UBES ganha espaço e respeito na sociedade.
A meia-entrada sempre sofreu ataques. Recentemente, a Confederação Nacional do Comércio entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para derrubar a lei de meia-entrada de São Paulo, com o mesmo argumento que o vereador Rodrigo Agostinho ( PMDB ) tenta alterar a lei municipal que garante o direito de meia-entrada aos estudantes bauruenses, onde ambos tentam demostrar a violação do artigo 5.º da Constituição Federal; ninguém poderá ser compelido a associar; se ou permanecer associado. Todos sabemos que a aquisição da carteira não significa filiação à UNE ou UBES, já que essas entidades, pelos seus estatutos legais reconhecem como seus membros qualquer estudante regularmente matriculado. Aliás, já era assim antes de existir meia-entrada.
Meia para todos como quer o Rodrigo Agostinho é meia para ninguém. Em 83, através do Concine (Conselho Nacional de Cinema), o governo federal - na época o presidente era o general João Figueiredo - suspende o direito à meia-entrada. A justificativa era a falta de um órgão que centralizasse a emissão, o que permitia a falsificação da carteira de meia-entrada em larga escala.
Diante disso, a saída era oferecer meia-entrada para todos em horários especiais, o que na pratica significava que ninguém iria ter direito ao benefício. Somente em 92, com a aprovação da lei de meia-entrada em São Paulo e no Distrito Federal, a carteira voltou a ter força e os estudantes, a ter acesso facilitado a atividades culturais, esportivas e artísticas, além de terem uma identidade estudantil legítima. Quem é vivo sempre se une, faça a carteira pela educação e a cultura. (Roberto Domingos - RG 30 142 211-4, Presidente da Umesb)