Muitos moradores não permitem a visita dos agentes do DSC em suas casas. Ontem, outro caso de dengue foi confirmado
Os agentes do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde, estão encontrando dificuldades e até mesmo resistência de moradores dos bairros visitados para a busca de criadouros do mosquito transmissor da dengue. A informação é de Maria Helena Abreu, diretora do DSC. Ontem, foi registrado mais um caso positivo e autóctone de dengue em Bauru, no Jardim Vânia Maria, totalizando 20 no município, sendo 17 autóctones. O número de suspeitos, ainda não confirmados, é de 30. Os arrastões devem ter seguimento no Jardim Bela Vista.
De acordo com Maria Helena, entre a última quarta-feira e ontem, em que o arrastão para busca de criadouros do Aedes aegypti foi feita na Bela Vista, foram registrados 40 autos de infração por condições irregulares nas residências visitadas que propiciariam a proliferação do mosquito transmissor da doença. O total de autos de infração expedidos neste ano, apenas durante as atividades de arrastão, é de 145.
O maior problema que os agentes do DSC encontram nas visitas refere-se à resistência de alguns moradores, principalmente no Jardim Bela Vista, em abrir as portas da casa para a realização da busca. Eles reclamam por estarmos passando novamente nas casas e dizem que o serviço deve ser realizado na periferia, conta Maria Helena.
Segundo Flávio Tadeu Salvador, coordenador do projeto de controle do Aedes, muitas vezes, os agentes não conseguem retirar nem os pratos de vasos de plantas das casas. A população encara esse trabalho de forma paternalista. Parece que a participação é uma colaboração com o serviço da Prefeitura. E não é. É responsabilidade também da população.
Maria Helena ressalta que os arrastões estão sendo realizados com o objetivo de eliminar criadouros do mosquito transmissor da dengue, pela eliminação de materiais que acumulem água, e buscar ativamente casos suspeitos. O serviço não inclui a retirada de entulhos das casas visitadas. Muitas vezes, os moradores querem que nós retiremos entulho de construção e móveis quebrados, mas essa não é a finalidade do arrastão. Para isso, os bairros contam com a coleta de lixo.
Construções paradas também são alvo de preocupação dos agentes do DSC, já que o fosso dos elevadores e as lajes costumam ter acúmulo de água. Jogar óleo queimado no fosso e cimento ou areia com pedras na laje resolve esse problema, expõe Maria Helena.
Quanto aos terrenos baldios, que totalizam cerca de 75 mil em Bauru, o DSC incentiva as Associações de Moradores à realização de trabalhos de criação de jardins ou hortas comunitárias no local, como forma de colaborar com o controle à epidemia.
A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é para que, além de eliminar possíveis criadouros em suas residências, não utilizem inseticidas, já que pesquisas indicam que o mosquito está tornando-se resistente aos venenos. Nós também estamos com o uso do larvicida restrito devido à resistência do mosquito, disse a diretora do DSC.
As buscas ativas a suspeitos e o arrastão para a eliminação de criadouros devem ser ampliados na Bela Vista, nos próximos dias. Na região do Jardim Vânia Maria, em que foi registrado o último caso autóctone da doença, as buscas devem ser repetidas em um prazo de 10 dias.