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Aterro funciona, mas beira o esgotamento

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Na avaliação da Cetesb, o aterro sanitário de Bauru vem respeitando as exigências ambientais, só tendo uma pendência a cumprir. O problema é que o prazo de vida útil inicial diminuiu em razão dos baixos índices de reciclagem

O aterro sanitário de Bauru, que recebe diariamente cerca de 220 toneladas de lixo, está próximo de ter sua capacidade esgotada. Criada para durar 10 anos - até 1993 -, a grande vala pode ter o prazo de vida útil reduzido por conta dos baixos índices de reciclagem e do aumento no volume dos resíduos despejados, estimado em 40% nos últimos seis anos. O vereador Rodrigo Agostinho, do Instituto Ambiental Vidágua, acredita que o aterro estará esgotado no máximo até o início de 2002, ou seja, dois anos antes do que o previsto.

O gerente da Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) em Bauru, Rogério Chini, concorda que o tempo de vida do aterro tende a diminuir, mas acha que ele conseguirá cumprir a missão original. O ideal, porém, seria criar um sistema eficaz de reciclagem para prolongar esse prazo, uma vez que a construção de um novo aterro consumiria algo em torno de R$ 2 milhões dos cofres públicos.

Para Chini, a melhor alternativa seria a instalação de uma usina de reciclagem e compostagem, que, segundo resultados de outros municípios, oferece o aproveitamento de 80% do lixo. Mandaríamos para o aterro apenas o rejeito, ou seja, 16 toneladas diárias se considerarmos o volume atual. Com a usina, conseguiríamos esticar em pelo menos 10 anos a vida útil do aterro, calculou, lembrando que o espaço foi projetado para o despejo de 140 toneladas por dia - 70 mil quilos a menos do que recebe atualmente.

A construção da usina de reciclagem e compostagem já vem sendo cogitada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, mas depende integralmente da liberação de recursos estaduais. Antes disso, porém, seria necessário um amplo estudo de impacto ambiental, mas as conversações ainda não teriam chegado a esse ponto.

Embora esteja caminhando para a saturação, o aterro sanitário de Bauru vem funcionando bem e, com uma exceção, dentro das normas exigidas. A avaliação é da própria Cetesb, que, no ano passado, deu nota 9,8 para o depósito sanitário. O funcionamento adequado, aliás, já estava mais do que em tempo de acontecer. Criado forçosamente - uma ação do Ministério Público exigiu a destinação correta do lixo em 1992 -, o aterro apresentou problemas em sua impermeabilização e estaria situado numa área imprópria do ponto de vista ambiental. O aterro está na nascente do córrego da Gabiroba, numa área de preservação, mas para a população a localização é boa, ponderou Rodrigo Agostinho.

Da data em que entrou em funcionamento até 1998, o aterro de Bauru operou sem licença de instalação e somente no ano passado obteve a licença provisória de funcionamento. A permissão definitiva só será expedida quando a exigência do monitoramento do lençol freático for atendida. Para tanto, são necessárias a perfuração de poços e análise das condições das águas subterrâneas. Mesmo assim, Rogério Chini tem uma avaliação positiva do aterro. Os problemas existiram sim, mas de dois anos para cá o poder público tem dispensado o devido cuidado. Não temos notado qualquer desleixo, pelo contrário, todas as determinações vêm sendo cumpridas, garantiu Chini.

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