Vereadores defenderam ontem, durante a sessão da Câmara Municipal, que a Prefeitura apure, por meio de sindicância interna, as razões que levaram a Secretaria Municipal de Administração a realizar tomada de preços para contratação de fornecedora de refeições aos servidores municipais.
Na opinião dos parlamentares, não houve motivo para decretar emergência de necessidade - que garantiu a dispensa da licitação, uma vez que as denúncias sobre a situação crítica da cozinha municipal já eram conhecidas há dois anos pela Prefeitura.
Os vereadores elogiaram a atuação harmônica dos Poderes Legislativo e Executivo para solucionar a questão, que culminou com o cancelamento da assinatura do contrato do Município com a Nutriplus Alimentação & Tecnologia Ltda. Apesar disso, eles entendem que a Prefeitura deve continuar a analisar o assunto e apurar responsabilidades.
O prefeito Nilson Costa agiu de maneira corretíssima. Para nós da Câmara Municipal, o assunto termina aqui, mas em nível de Administração deve continuar. É preciso perguntar porque foi pedido contrato de emergência, cobrou João Parreira de Miranda (PDT).
José Carlos Pereira Batata (PT) lembrou que os alimentos entregues ontem foram produzidos sem que a cozinha da empresa tivesse sido fiscalizada pela Vigilância Sanitária.
Não foi expedido laudo sobre as condições de higiene. Por isso, é preciso buscar respaldo da Vigilância Sanitária para avaliar se as refeições foram produzidas em condições de saúde e higiene adequadas, alertou o vereador petista.
Majô Jandreice (PC do B) frisou que a questão das refeições servidas aos servidores é um assunto sério e que envolve a saúde de mais de 1.300 pessoas. Precisamos de uma definição sobre isso, algo definitivo, disse a vereadora.
Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) fez coro à cobrança da comunista. Da forma como está, não é o ideal. A cozinha do DAE não tem como produzir tantas refeições, porque sua capacidade é de cerca de 700 refeições por dia. Por isso, espero que o poder público aja conforme a vontade do servidor, cuja alimentação deve ser tratada de maneira digna, discursou.
Apesar dos cutucões pedindo atitudes mais contundentes por parte da Prefeitura em relação à questão das refeições, o que mais se ouviu na sessão de ontem da Câmara Municipal foram elogios. Os vereadores se auto-elogiaram e elogiaram, também, a atitude de Nilson Costa (PPS), que definiram como ágil e sensata.
Na opinião dos parlamentares, a manutenção da assinatura do contrato poderia ter trazido mais prejuízos às imagens do Legislativo e, principalmente, do Executivo. Com o aparente fim da história, avaliam, Nilson Costa varreu a possibilidade de haver retrocesso político em Bauru - em referência direta à administração de Antonio Izzo Filho.
Resgate
Longe dos microfones, a conversa foi menos amena. Na opinião de vereadores de diversos partidos, se Nilson Costa quiser preservar a integridade de sua imagem política deverá exonerar Flávio Uchoa do cargo de secretário municipal da Administração. Caso contrário, correrá o risco de ser atrelado até o fim do mandato ao que já é considerado o maior desgaste de sua Administração.