A diretoria do Banespa/Santander já deixou muito claro durante as últimas reuniões que tivemos, e também nos informativos internos distribuídos aos funcionários, que é preciso enxugar o quadro de pessoal. Além disso, analistas de mercado estão prevendo que cerca de dez mil funcionários serão demitidos nesse processo. As afirmações são do diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Marcos Silvestre. Diante disso, a entidade iniciou, na semana passada, um processo de mobilização junto aos empregados da instituição. Com a privatização, o Santander assumiu o controle do Banespa em novembro do ano passado.
Na semana passada, o sindicato promoveu uma panfletagem em frente à sede principal do Banespa de Bauru, situada na rua Rio Branco. O objetivo era divulgar o plano de demissão em massa que estaria sendo organizado pelo banco e que atingirá as agências bancárias de todo o País. Segundo Silvestre, a primeira ação dessa fase foi a extinção do Departamento de Tesouraria, em todas as agências que possuíam esse setor. Em Bauru, onde funcionava a Tesouraria Regional, os serviços já foram terceirizados e os funcionários do setor não teriam sido informados sobre os planos que a instituição tem para eles.
Em todo o Brasil, os serviços que eram desenvolvidos pelos funcionários da Tesouraria foram terceirizados e a diretoria do banco ainda não informou absolutamente nada sobre o que acontecerá com esses trabalhadores. Mas, além da Tesouraria, que já foi extinta, já estão em processo de terceirização outros departamentos, como o Jurídico, a Central de Seguros, o setor que fornece suporte técnico às agências e o Departamento de Engenharia, diz Silvestre.
De acordo com ele, a diretoria do banco não se pronunciou, em nenhum momento, sobre as demissões e se limitaria a dizer que haverá enxugamento do quadro de pessoal. Porém, pelos cálulos que estariam sendo feitos por analistas de mercado especializados na área, a previsão - levando em conta o grande projeto de terceirização de serviços - é de que o número de funcionários demitidos girará em torno de 10 mil. Essa política de RH do Santander para o Banespa está sendo qualificada, por nós, como política do touro louco. É uma alusão ao touro que o Santander tem como símbolo, juntamente com o problema da vaca louca, comenta Silvestre.
Segundo Silvestre, a diretoria do banco estaria impondo aos empregados metas absurdas e acima dos níveis de mercado para a venda de produtos da instituição. Além disso, o banco não está pagando as horas extras, ou quando faz isso, não é da forma correta. Muitos funcionários estão trabalhando de duas a três horas além do horário, todos os dias.
Consultada pela reportagem, a Assessoria de Imprensa da instituição informou que a diretoria do banco não quis se manifestar sobre o assunto.