Continua se desenvolvendo vagarosamente, no Congresso Nacional, a idéia, praticamente fixa de setores oposicionistas, no sentido de se criar nos meandros legislativos a falada Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar e punir denúncias de ampla corrupção no atual governo da União. Vai a oposição insistindo claramente na imediata composição de um grupo de deputados que penetre até à raiz do grave problema e localize o fundo do poço onde se encontra encapuzado o penoso estoque de falcatruas praticadas pelos corruptores da coisa pública. Contudo, enquanto os oposicionistas adentram a profunda e ampla cisterna, que juram de mãos postas esconder as malandragens criminosas, o Executivo vai sustentando a tese de seus mais influentes líderes de que todas as denúncias apregoadas já estão sendo devidamente apuradas e, portanto, não há necessidade da indigitada CPI. Então, o que vai acabar acontecendo, finalmente, no término do frigir dos ovos, é difícil de se prever, porque ao que parece ambos os ângulos contrastantes se revelam bem alicerçados, com o chefe da Nação disposto a lutar contra a corrupção, sem, no entanto, recorrer à Comissão Parlamentar, contrapondo-se, então, à opinião do outro setor, para o qual não basta descobrir e castigar os trânsfugas, sendo imprescindível que se o faça, rigorosamente, a fim de que outros prosélitos não surjam por aí, na ribalta, colocando-se no picadeiro como novos protagonistas de novos casos de dilapidação do erário público.
Com quem estará a razão? Quem estará certo?
O governo que diz o que fazer e alega que já o vem fazendo ou os que acham que é preciso partir para outras formas sem as quais o objetivo não será atingido e tudo continuará com o campo aberto para corrupção?
Tão pouco possui o País em seu depauperado Tesouro e, então, imperioso se torna que mais aproveitadores sejam impedidos, com ou sem CPI, de botar as mãos imundas no que a administração pública possui para pôr a Nação a caminhar livremente.
Então, algo positivo precisa acontecer. Use o Presidente os poderes que a lei lhe confere sem esperar por CPIS ou congêneres. Ponha os cachorros no encalço dos salteadores oficiais ou permita que outros o façam. Não é assim que se caçam bandidos? Os fraudadores não podem escapar a essa regra de tão comesinha justiça. Vá em frente, Senhor Presidente. Lute firmemente, conforme sua promessa, sem esperar que a comissão entre na jogada. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.