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Brega ou chique?

Redação
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Casa noturna Villa Madalena promove a festa Brega, porém Chique, na quinta-feira, trazendo show com o ícone do gênero, Falcão

Bregas e chiques de Bauru vão fazer a festa na próxima quinta-feira, na casa noturna Villa Madalena. A festa Brega, porém Chique promete fazer todo mundo tirar do fundo do baú sua indumentária mais adequada ao mestre da noite, o cantor cearense Falcão. A festa vai contar ainda com show da banda Creme Rinse, com o melhor repertório do estilo.

Depois de namorar a tropicália, bolinar a bossa nova e flertar a jovem guarda, o megabregastar Falcão, autor de Hollyday Foi Muito, engravidou a MPB e fez nascer o rebentíssimo Do Penico à Bomba Atômica, o sétimo e bem sucedido disco de sua retumbante carreira.

Deixando, de novo, escorrer sua canção alegre, de letra cortante, neste solo comum de Brasil quinhentão, Falcão discute a nossa gente, seus costumes, idiossincrasias e manias com palavras e a pegada do povo. A pauta da hora é a gênese do homem e a sua evolução - do berço fisiológico à modernidade anatômica.

Bem ao estilo do ribombar que marca a chegada do novo milênio, o trabalho, um show de luz e cores, reúne o que há de mais original e bem humorado, embalado por ritmos e embebido na sua filosofia de resultados. A oração de fé envolve até receita de bolo, com BG neoclássico. Uma aula fantástica de quem já vendeu um milhão de discos e fez quase mil shows Brasil afora.

O disco

Do Penico à Bomba Atômica, mais recente disco de Falcão, gravado pela SomZoom Studio de Fortaleza, no Ceará, faz uma leitura do processo de globalização da molecagem a partir da poética ferina consagrada. Um toque de forró empresta à nova investida um quê de brejeiro, porque terapêutico.

Falcão gravou no Ceará esta que é a sua mais completa criação. Leve, atual, contraditória, ecumênica, incitante, futurista, Do Penico à Bomba Atômica só peca por um fator: é o que há de melhor na contemporaneidade da incompentente Latino América.

Para começo de conversa, o agnóstico Falcão gravou 16 músicas, abordando temas que vão da irresponsabilidade no volante à situação bucal precária do brasileiro, passando, claro, pelas coisas do chifre e o necrológico destino da genitália masculina.

Já que 2001 vem aí pra deixar saudades, quero concordar com quem disse que antes de começar o trabalho de mudar o mundo, é preciso dar três voltas pela MPB e perceber uma casa vazia. Basta enxergar Falcão e o resto conferirá sentindo ao que falta, assevera o cantor, 43 anos, arquiteto e escritor de uma centena de heterônimos.

Serviço

Festa Brega, porém Chique, quinta-feira, 23h, na Villa Madalena, com shows de Falcão e banda Creme Rinse. Convites no local e com promoters. Rua Antônio Alves, 31-54. Informações: 227-5312.

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