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A estimativa é do geólogo Nariaqui Cavaguti, que presta consultoria à Prefeitura de Bauru. O Jardim Jussara é um dos locais mais afetados da cidade.

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 6 min

O cálculo aproximado é do geólogo Nariaqui Cavaguti, que estuda as aproximadamente 30 erosões de Bauru

A recuperação total de todas as erosões da área urbana de Bauru - cerca de 30 - custaria entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões. A estimativa é do geólogo e professor da Unesp aposentado, que atualmente presta consultoria à Prefeitura de Bauru, Nariaqui Cavaguti. Há anos, ele vem estudando as erosões de Bauru e acredita que a recuperação das áreas degradadas, em função do alto custo, ainda vai demorar.

Para se ter uma idéia, o valor estimado para combater de vez todas as erosões é bem superior ao orçamento anual de Bauru, que este ano é de R$ 124 milhões. De acordo com Cavaguti, todas as últimas administrações investiram no combate a erosões. No entanto, o trabalho não está sendo suficiente porque estão surgimento erosões em maior número do que são combatidas.

E a causa para o surgimento de tantas erosões, segundo Cavaguti, não é apenas o tipo de solo de Bauru, que é bastante proprenso a degradação. O principal motivo, de acordo com ele, é a ocupação do solo sem a devida instalação de galerias para escoamento da água da chuva, o que apenas agora está sendo feito.

Cavaguti citou, como exemplo, a grande erosão que surgiu há pouco tempo na margem do córrego Água do Sobrado. Ele explicou que a erosão surgiu porque faltam galerias para escoar a água da chuva nos bairros próximos - Jardim Jussara, Vila Rocha, Parque Viaduto, Parque dos Sabiás e Parque das Andorinhas -, que agora estão sendo implantadas. A erosão surge por ação da água, que só causa problema quando corre concentrada e com velocidade em determinado caminho. À medida que se vai ocupando a cidade, se vai impermeabilizando a superfície e aumentando a quantidade de água que corre pela superfície, explicou.

O professor lembrou que no ano passado foi criada em Bauru uma comissão técnica para dar as diretrizes gerais de implantação de loteamentos e de grandes obras. Isso para evitar que sejam aprovados projetos que possam degradar o meio ambiente. A comissão, formada por funcionários das secretarias do Planejamento, de Meio Ambiente, de Obras, das Administrações Regionais, dos Negócios Jurídicos, Defesa Civil, DAE e Emdurb, analisa o impacto do empreendimento do ponto de vista do escoamento da água da chuva, segundo Cavaguti.

Para o geólogo, as erosões precisam ser atacadas em três frentes distintas e paralelas. A primeira, a que ele considera mais importante, é a prevenção, ou seja, não permitir que sejam aprovadas obras que mais tarde venham a causar danos ao meio ambiente. Nessa linha, segundo Cavaguti, está atuando a comissão técnica da Prefeitura.

A segunda frente de atuação, de acordo com Cavaguti, deve ser o controle das erosões, trabalho emergencial para que o problema não aumente até que haja condições de serem combatidas definitivamente. A terceira e última frente de atuação é o combate às erosões. Essa medida é bastante cara, conforme explicou Cavaguti, porque além de tapar a erosão exige a instalação de galerias pluviais em toda a região que, pelo declive do solo, direciona água para o ponto da erosão.

Cavaguti lembrou que Bauru tem várias erosões que foram recuperadas, o que mostra que isso é possível. Ele citou uma erosão que existia no terreno onde hoje está o campo de futebol da USP. Ele alerta que surgirão mais erosões porque já existem loteamentos em fase de construção ou aprovados que não atendem às exigências técnicas.

Fórum discutirá erosão e enchente

Representantes de seis entidades criaram, anteontem, o Fórum Permanente de Debate das Questões Municipais

Em reunião anteontem à noite na Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi criado o Fórum Permanente de Debates das Questões Municipais, que pretende discutir e apontar soluções para erosões, enchentes e buracos, por considerar esses os principais problemas de Bauru no momento. O Fórum reúne representantes da OAB, Associação dos Geógrafos do Brasil, Unesp, Conselho Regional de Psicologia, Comissão Direito e Paz da Igreja Católica e Comissão Diocesana de Leigos e está aberto a participação de mais entidades e associações de bairro.

Na próxima reunião do Fórum, marcada para a próxima quarta-feira, já deve ser definida a realização de uma plenária municipal para discutir as erosões, as enchentes e os buracos, segundo Alceu Luiz Carreira, vice-presidente da OAB que participou da reunião de criação da entidade. Ele disse que o Fórum será um órgão permanente de discussão dos problemas da cidade.

Carreira explicou que o Fórum foi criado em função das consequências que as erosões, chuvas e buracos estão trazendo para Bauru, de muitos estragos e inclusive mortes. Neste ano, três pessoas morreram nas enchentes e outras duas ao cair, com o carro, dentro da erosão aberta na avenida Waldemar G. Ferreira.

A Comissão de Direitos Humanos da Subseção Bauru da OAB entrou na Justiça pedindo para que seja apurada a responsabilidade da Prefeitura nessas mortes. De acordo com Carreira, as entidades que integram o Fórum estão solidárias com a medida tomada pela OAB e, com a criação do Fórum, vai evitar até um caráter político da Comissão de Direitos Humanos.

Carreira disse que a proposta é que as associações de bairros participem do Fórum, já que erosão, enchentes e buracos são problemas que afetam mais a população da periferia. Na primeira reunião, o Fórum Permanente de Debates das Questões Municipais discutiu a necessidade do controle da expansão da área urbana para que não acarrete danos ao meio ambiente e, em conseqüência, à população.

O Fórum já solicitou à Associação dois Geólogos de Bauru laudo do residencial Lago Sul. Carreira explicou que análise superficial exposta na reunião de anteontem aponta para risco de rompimento do dique do Lago Sul. Se isso vier a ocorrer, a preocupação do Fórum é com uma possível degradação da cabeceira do rio Bauru.

Mas o vice-presidente da OAB deixou claro que o Fórum Permanente de Debates das Questões Municipais quer atuar em projetos futuros, evitar a aprovação de projetos que coloquem em risco o meio ambiente. Para isso, conforme ressaltou, o órgão contará com três pólos de atuação. O primeiro refere-se aos órgãos técnicos, como a Associação dos Geólogos do Brasil e Unesp, que têm condições de fazer laudos das erosões, por exemplo, e apontar alternativas para o problema.

O segundo pólo de atuação é o jurídico, que compete à OAB. O Fórum poderá, de acordo com Carreira, através da intervenção judicial impedir atos públicos que sejam contrários à lei e ao plano diretor da cidade. A terceira via de atuação é a prevenção do meio ambiente, evitando atitudes que possam provocar degradação e conseqüências danosas à população.

Sobre as erosões, os integrantes do Fórum apontaram como alternativa a utilização de entulho, mas de forma criteriosa. De acordo com Carreira, para que a erosão não reapareça na próxima chuva, deve-se usar somente o entulho sólido, segundo ele diferente do que vem sendo feito atualmente pela Prefeitura.

A próxima reunião do Fórum será na quarta-feira, em local ainda a ser definido. Carreira convida todos os interessados, principalmente associações de bairro, para a reunião. Mais informações podem ser obtidas na Subseção Bauru da OAB, pelo telefone (14) 224-2747.

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