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Relatório pede mudança

(*) José Almodova
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Em artigo publicado na última quinta-feira (29/3), que intitulamos de A hegemonia do Brasil no Cone Sul, demos asas ao assunto -originário dos EUA- creditando grande ênfase na crescente defesa da posição político/econômica do Brasil, na América do Sul.

A curiosa postura foi dada a conhecer pela AE e publicada no JC (em 4/3). Fato que chamou-nos a atenção (pois segundo parece), saiu na busca imediata do importante objetivo que envolve nosso país. O qual seja, alertar o presidente recém eleito, George W. Bush, dada a hegemonia que deve (por direito e sem mais delongas), ser imediatamente creditada ao Brasil. Isto é, a afirmativa que postula fortes indícios de que a liderança do nosso país no Cone Sul, começa ser levada a sério, quando ratificada largamente pelos EUA. A surpreendente atitude da força-tarefa patrocinada pelo Conselho de Relações Exteri-ores dos Estados Unidos, cuja tarefa -segundo deixa crer- ocorrera sob absoluto sigilo, tendo exigido longa atividade, num período de cerca de 18 meses.

O documento, porém, trouxe no seu bojo -subjetivamente- talvez a maior preocupação vivida pelo governo dos Estados Unidos, nos últimos 6 anos. Tudo com base na reunião gerada no tratado de Miami, quando ocorreu o lançamento da Alca, em 1944. Este, entre-tanto, sob pressão do governo norte-americano acelera o rolar da carruagem, na busca de antecipar em dois anos o prazo final de negociações da Alca, previsto para 2005. O que em verdade seja a busca da livre expansão da: Área de Livre Comércio da América do Norte (Alca), até a América do Sul, isto é, contando com o suporte determinante do Brasil.

E ainda, uma envolvente filosofia de total e absoluta necessidade da parceria com nosso País, quando no caso, se pretenda lidar com a questão das drogas. Assim, consideram (e abertamente já o afirmam), dizendo que: Em última análise , nenhuma das políticas básicas dos Estados Unidos terá qualquer efeito se o Brasil delas não participar. Trata-se (como se percebe), de declarações afirmativas que massageiam nosso ego. Entretanto, ainda que enobrecendo-nos através da mídia dentre os parceiros do Mercosul, bem como os demais países do Cone Sul, tudo leva a crer que um objetivo verdadeiramente manifesto, reside na defesa e busca de parceria para a Área de Livre Comércio das Américas, a Alca.

Manifestam-se crentes de que há condições favoráveis, isto é: o momento é oportuno para a ação. As relações do Brasil com os Estados Unidos são boas, dizem eles. Reconhecem ainda o crescimento da hegemonia brasileira após emergir; com sucesso de um passado autoritário para uma democracia vibrante, a terceira maior do mundo.

Fernando Henrique Cardoso não se fez por tardar, voou para Washington em 29 de março (recém-findo), para o encontro com o presidente George W. Bush, na Casa Branca, acompanhado do ministro das Relações Exteriores Celso Lafer e do embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa. Ambos os presidentes - quando estando a sós e de olho no olho, como pretendia o presidente Bush - com toda franqueza, abordaram seus direitos de manifesto de discutir (cada um de per si), os interesses dos seus respectivos países.

Entrementes, o entendimento principal entre ambos os presidentes, quanto à antecipação - em dois anos- proposta pelo governo americano para as negociações da Alca, continua-pendente e mantém a negação do Brasil na adesão à Alca, mantida por FHC. Embora Fernando Henrique se haja mostrado satisfeito pela relação aberta com que nomeou o tratamento do presidente Bush, o assunto Alca se mantém no dito pelo não dito. Fico por aqui.

(*) José Almodova é jornalista e professor

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