Perigo! Luzes dos faróis contrários, perda de visibilidade, ausência dos olhos de gato nas rodovias brasileiras e até mesmo o sono caracterizam este período em que é melhor não viajar. Se for de extrema necessidade, toda atenção é necessária!
Aproveitar o tempo. Este é o mote que norteia os costumes da maioria dos motoristas brasileiros. Mesmo que muitos afirmem que não gostam de viajar à noite, muitos o fazem por pressa de chegar ao destino mais cedo e aproveitar o tempo disponível, seja para o descanso, seja para resolver tarefas para o trabalho.
Muitas vezes, a opção pela noite tem a ver com menor trânsito e temperatura mais amena. Assim, são muitos os que, após horas de trabalho, se submetem a mais um esforço: o de dirigir horas seguidas para chegar logo ao destino.
Por outro lado, à noite, as principais desvantagens são a baixa visibilidade e a maior chance de ter neblina. Os olhos de gato têm uma ação eficaz, mas podem dar uma falsa sensação de segurança. O motorista pensa que a pista está livre, mas pode existir um animal atravessando a estrada ou um outro veículo que dirige com luzes apagadas.
Outro problema enfrentado por quem viaja à noite é a momentânea perda de visão quando o motorista é atingido pela luz que vem de um carro que está no sentido oposto. A pupila abre e fecha para controlar a quantidade de luz que entra no olho, mas essa regulagem não é automática. Nesse meio tempo, a capacidade visual é praticamente nula.
Uma boa dica é não olhar diretamente para os faróis de quem está na pista contrária. Mantenha o olhar na lateral da estrada, o que permite conservar a trajetória e, ao mesmo tempo, a capacidade visual.
O grande inimigo do motorista que viaja à noite é o sono. Quando ele chega, é complicado vencê-lo. Os reflexos ficam mais lentos e a percepção menos apropriada. O ideal é nunca viajar à noite sem antes ter dormido bem e se sentir disposto. Se o motorista comeu muito antes de sair de casa, a situação piora, principalmente se houver poucos carros na estrada e o trecho não tiver curvas e desníveis. Isso porque ele tende a se movimentar menos já que quase não é preciso trocar marchas e o motorista fica hipnotizado pela estrada. Manter os vidros abertos e o rádio em volume mais alto podem ajudar nesses casos. O ideal é levar sempre um acompanhante nas viagens noturnas para que a boa conversa afugente o sono.
Na estrada à noite por amor
Eu viajo à noite, mas não gosto. Prefiro viajar durante o dia. Essa é a opinião da assistente de vendas Elilie dos Santos, que já viajou muito durante à noite, por amor ao seu filho. Na época, ela morava em Taubaté e o filho em Bauru, motivo pelo qual viajava, ao menos duas vezes por mês, para passar o final de semana com ele ou levá-lo até Taubaté. Eu já viajei muito sozinha, fazendo o bate e volta. Saía de manhã de Taubaté, vinha até Bauru e retornava à noite, comenta.
De acordo com Elilie, as viagens realizadas durante à noite são mais perigosas em função de diversos fatores que influem no trânsito. À noite, o motorista é obrigado a dirigir com os faróis dos outros veículos vindo de encontro aos olhos, reduzindo o campo de visibilidade, comenta. Segundo ela, o campo de visibilidade durante o dia chega a 3 quilômetros adiante. Já durante à noite, o campo de visão se reduz até o próximo farol que bate nos olhos. Se tem um buraco na pista, por exemplo, o motorista não consegue ver, complementa.
Numa dessas viagens realizadas para reencontrar o filho, Elilie estava vindo de Taubaté e teve que enfrentar uma tempestade durante à noite. Eu estava na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros e, em função da chuva, eu tinha que me guiar pela lanterna do carro à frente. Nós ficamos numa fileira e ninguém conseguia realizar ultrapassagens. Foi uma situação muito estressante, comenta. A rodovia tinha ainda um agravante: não possuía acostamento, de modo que os carros não podiam parar e esperar passar a tempestade.
Elilie considera que algumas atitudes do motorista podem ajudar a evitar que a viagem à noite torne-se mais perigosa. Estar bem desperto é a primeira dica. Para tanto, é necessário fazer uma refeição leve ao menos três horas antes da viagem, para não provocar o sono. O importante é estar bem fisicamente para que a viagem seja mais tranqüila, comenta.
Outra dica, segundo Elilie, é viajar relaxado e de maneira mais calma possível. Dessa forma, a redução da velocidade, durante à noite, é atitude fundamental para evitar acidentes.
Elilie condena, no entanto, a atitude dos motoristas que só viajam à noite para fugir dos radares ou da polícia rodoviária. Isso é bobagem. Eu ainda acho muito mais seguro obedecer às normas de trânsito do que se arriscar no período noturno para fugir da polícia ou dos radares, afirma Elilie. Se todos nós motoristas nos conscientizássemos das normas de trânsito, não haveria tantos acidentes nas rodovias como existem hoje.