O que atrapalha a mulher no mercado de trabalho? A resposta pode estar em alguns mitos que precisam ser quebrados
O resultado quer dizer que, se deixar para trás os preconceitos e as idéias pre-concebidas sobre o mercado, a mulher não só não vai se decepcionar como vai avançar cada vez mais. Mas para isso é preciso resolver algumas pendências.
Aumento
Um conceito comum entre as mulheres diz respeito ao salário. Existe a idéia de que para ganhar um aumento ou uma promoção basta ser competente e esforçada. Isso é um erro. Os chefes promovem quem se autopromove. Muitas mulheres condicionadas a esperar por presentes, acredita que a recompensa por um trabalho bem-feito virá automaticamente. Por que não é assim? Simples, pela mesma razão que se não dá um aumento para a faxineira antes que ela peça.
É preciso aparecer. Não é suficiente dar duro, obedecer às ordens ou se oferecer para os trabalhos ingratos. Tem de fazer as pessoas saberem disso - certificar-se de que estão chegando aos ouvidos de seu chefe todos os elogios que vem recebendo ultimamente, seja do pessoal do escritório, seja de fora. É preciso saber que se autopromover não significa bancar a convencida e vangloriar-se a ponto de seus colegas pensarem em contratar um assassino profissional. O objetivo é se valorizar com sutileza e tato.
Demissão
Deve-se evitar a demissão a qualquer custo? A resposta é não! Apesar de não ser a situação mais agradável do mundo, ser demitida não significa que você precisa obrigatoriamente sofrer as conseqüências, mesmo que tenha merecido ser mandada embora.
A maioria das pessoas talentosas quer testar os limites para ver até onde consegue chegar... Se a mulher faz o tipo boa menina, é provável que nunca seja mandada embora, mas também é quase certo que não conquistará uma posição de destaque. As pessoas de sucesso não têm medo de se arriscar - nem de cometer erros. Podem até perder o emprego por serem criativas demais, diferentes, voluntariosas. Mas tais características dificilmente serão usadas contra elas por seus futuros empregadores, principalmente se tiverem o mesmo temperamento. Na verdade, depois do choque inicial, ser demitida pode até ajudar sua carreira, porque ser demitida pode acontecer mesmo com as melhores e as mais competentes.
Jogando a toalha
Abandonar o local de trabalho porque ele é muito machista não é a solução do problema. Cada vez mais, e a toda hora, as mulheres ganham terreno em áreas antes exclusivamente masculinas. É comum elas se queixarem que os chefes não ligam a mínima para seu trabalho, já que não dão nenhum retorno. Mas o problema não costuma ser desinteresse: é medo. Os homens têm receio de avaliar o trabalho de uma mulher, segundo os psicólogos. Receio de que elas desmoronem ao ouvir uma crítica mais dura. O que fazer? É preciso ser forte nas horas de avaliação - e não levar críticas profissionais para o lado pessoal. Em resumo: enquanto as mulheres tentam mudar para se adaptar a um sistema masculino, o sistema também está mudando para se adaptar a elas. Vale mais esperar do que jogar a toalha e desistir.
Fora do jogo
Ser eficiente não quer dizer ficar fora de nenhum joguinho político dentro da empresa. No trabalho, a política atesta a habilidade para se relacionar com os outros. É uma qualidade tão importante quanto talento, competênca, pontualidade.
Muitas mulheres preferem ficar na arquibancada assistindo ao jogo a entrar em campo decididas a vencer. Isso acontece porque, para elas, nem sempre é fácil encarar situações difíceis, já que elas são treinadas para evitar jogos duros. Estudos mostraram que, quando um menino se machuca durante uma partida, a bola continua a rolar. Mas, quando é a menina que se machuca, a partida é interrompida. Jogar, mesmo sentindo dor, é uma das virtudes mais apreciadas entre os homens - que encaram qualquer atitude diferente como fraqueza.
Muitas mulheres não são bastante flexíveis. Ainda estão presas a noções abstratas de justiça e se esquecem de que as empresas são feitas por pessoas. E as pessoas não são perfeitas. Todas as organizações têm sua própria política.
A melhor técnica é perguntar ao chefe quais são as regras do jogo. A quem pedir ajuda, a quem evitar, como ele quer que o trabalho seja feito...
Como homem
Para a mulher ter sucesso no mundo dos negócios, ela não precisa agir como um homem. Primeiro porque não é possível agir igual aos homens, depois, porque toda mulher que age assim acaba tendo problemas. O importante não é bancar a durona, mas ser firme. Há uma grande diferença entre as duas. Pessoas duronas costumam ser inflexíveis - e por isso se tornam frágeis e vulneráveis. Ser firme significa ser forte, não levar as críticas para o lado pessoal, ajudar os outros - qualidades desejáveis em qualquer pessoa, homem ou mulher. Quando se é firme, é mais fácil controlar melhor as emoções, o que também proporciona um maior controle sobre o trabalho.
Ser firme não significa, no entanto, riscar do mapa os instintos femininos. O lado carinhoso, protetor e encorajador da mulher pode ser um grande trunfo, principalmente para quem ocupa um cargo de chefia e quer que seus funcionários dêem o máximo.
Há outro assunto delicado e sobre o qual ainda não se chegou a um acordo: determinados comportamentos são chamados de firmes e positivos em um homem - mas agressivos e ameaçadores em uma mulher. Mesmo apesar de hoje a sociedade estar mais acostumada a ver as mulheres assumindo posições firmes e fortes. De maneira geral, nada disso é levado em consideração se a mulher for competente e fizer bem o seu trabalho.
Assuntos particulares
Não é nada profissional tratar de assuntos particulares no escritório, os problemas pessoais devem continuar pessoais. Isso pode ser levado à risca até um certo ponto. Não é possível separar completamente a vida pessoal da profissional para homens ou mulheres. Há telefonemas particulares que só podem ser feitos durante o horário comercial, há assuntos a serem discutidos com amigos do escritório, há problemas de banco a resolver. Quando se gasta a maior parte do tempo no trabalho, tais situações são inevitáveis - mas pode-se lidar com elas inteligentemente. Como? Planejando e estabelecendo prioridades. É claro que não dá para marcar quatro médicos na mesma semana. Mas, por um bom motivo, não há nada de errado em fechar a porta e resolver a vida. Se alguém da família estiver doente e uma falta for inevitável, não há como esconder o fato. O que não pode acontecer é transformar a briga com o namorado num problema que atrapalhe a sua profissão.
Tempo de serviço
Algumas mulheres temem muito a demissão porque acham que se não ficarem pelo menos uns dois anos no mesmo emprego, vão fica com fama de quem não pára em lugar nenhum. Ao mesmo tempo também receiam se tornar móveis e utensílios do local onde trabalha e ser esquecida pelo mercado.
Essa confusão é normal porque nenhuma das suposições é completamente verdadeira - ou completamente falsa. Algumas mulheres conseguem tornar-se bem-sucedidas ficando onde estão, conquistando espaços degrau por degrau. Outras preferem queimar etapas e ir direto ao topo. Mas há as que permanecem em um emprego sem futuro só por lealdade - ou por insegurança, ou porque não fizeram planos a longo prazo, ou ainda porque não têm nenhum objetivo a alcançar.
É preciso avaliar a situação. Se o trabalho oferece chances reais de crescimento profissional, ficar é a melhor opção. Mas, se a atividade estiver trazendo infelicidade e falta de interesse e outra oportunidade surgir, é melhor tentar. Em outras palavras: quem salta no escuro pode se dar mal. Mas quem jamais salta... cria mofo.
Currículo
O medo do currículo não ser uma maravilha não pode interferir. A maioria dos empregadores promove as pessoas que eles julgam capazes de dar conta do trabalho. Quando usa o currículo (pouca experiência ou falta de qualificação) para justificar uma não promoção, é provável que o chefe esteja mascarando a verdadeira razão do boicote (pode ser por preconceito, não quer saber de mulher para o cargo; diplomacia (a pessoa se veste tão mal); ou desonestidade (promoveu o João porque seu amigo pessoal). Portanto é preciso descobrir a verdadeira razão para eliminá-la numa próxima vez. E o que fazer? Melhorar a opinião que se tem de si. Quando não conseguem ir adiante, as mulheres colocam a culpa nelas mesmas e em sua falta de qualificação. Já os homens sabem que há uma série de fatores envolvidos e que fogem de seu controle.