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Reformas visam apenas custo do Estado, afirma professor

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

As reformas políticas estão sendo ineficazes por estarem visando apenas a redução do custo do Estado, ao invés de recuperar o sentido político do País. Essa é a opinião do doutor em Ciências Políticas e professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(Unesp) - câmpus de Araraquara, Marco Aurélio Nogueira de Oliveira e Silva. Ele esteve, sábado, ministrando um curso sobre Gestão Social na Instituição Toledo de Ensino (ITE), abordando justamente esse tema.

De acordo com o professor, as privatizações promovidas pelo governo são a prova dessa ineficácia. Esse tipo de ação pode ser mais fácil e, seguramente, pode ficar mais barata, mas não é a melhor solução para o País, afirmou.

Isso porque as mudanças trazidas pela venda das estatais não chegam até a população, que continua passando pelas mesmas dificuldades financeiras para se manter dignamente. Ninguém percebe nenhum ponto positivo nesse processo. O modo de vida da sociedade, de maneira geral, não é alterado, salientou.

Para Silva, estruturar a sociedade, para que as instituições públicas ganhem credibilidade e a qualidade de vida seja melhor, é um problema bem mais complicado e que não será resolvido por nenhum presidente que ocupar o cargo nos próximos anos. Não que eu seja pessimista. Mas, não acredito em uma pessoa que possa resolver a situação. O problema é bem mais crítico e a solução envolveria toda a população, explicou Silva.

De acordo com o professor, o povo está totalmente despolitizado e esse é um agravante para o resultado das reformas. Ele ressaltou que as pessoas estão muito preocupadas com seus problemas individuais e não procuram soluções para melhorar a vida da coletividade. Existe uma situação paradoxal. Apesar de ter aumentado os meios para as pessoas se manterem informadas, como Internet, jornais, celulares, elas estão mais individualistas do que nunca. As mudanças deveriam começar pela melhoria do nível cultural da população, uma recuperação que nasceria em conjunto entre povo e políticos, disse.

O professor, que lançou recentemente o livro Em defesa da política, pela Editora Senac, diz que a falta de credibilidade do povo em relação aos políticos é mais uma face da crise de identidade do País. Os políticos são um espelho da sociedade. Se a classe política fosse extremamente organizada, a situação do povo não chegaria a um nível tão problemático. Da mesma forma, se a sociedade fosse politizada, não votaria em qualquer um para ocupar cargos públicos, destacou.

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