Geral

A primeira Páscoa do novo milênio

(*) Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 3 min

A primeira Páscoa do novo milênio deve ser um tempo de renovada esperança, passagem para uma verdadeira conversão que permita vivermos uma efetiva globalização da solidariedade.

Hoje, os inúmeros e complexos problemas da cultura urbana têm feito muitos desacreditarem até de que novas possibilidades e potencialidades podem emergir do caos global para a afirmação de uma civilização de amor. A Páscoa do novo milênio vem nos recordar que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre, e que sua mensagem continua tão atual e urgente, como em todas as épocas dos últimos dois mil anos.

Que possamos então nesta Páscoa nos desarmarmos do ceticismo e pessimismo, ou ainda do medo e da angústia, do desespero ou de qualquer outro sentimento negativista, para abraçarmos uma perspectiva de esperança que nos indique um futuro onde todas as dores e sofrimentos serão um dia superados. Afinal, foi isso que Jesus veio mostrar para nós, em sua primeira vinda ao mundo. De que a dor e a morte não são realidades definitivas da nossa vida, de que a vida é perdurável, de que transcendemos a tudo o que é provisório, de que há em nós um fundamento de perenidade.

A Páscoa é sempre uma passagem das trevas para a luz, do erro para a verdade, da dúvida para a fé, do desespero para a esperança, da tristeza para a alegria, da dor para a felicidade, do mal para o bem, da morte para a vida. Nós, cristãos, acreditamos na vitória da vida sobre todas as ameaças e perigos, porque a vida é um precioso dom de Deus, que o Criador irá salvaguardar contra todo mal. Acreditamos então que a miséria, a fome, as doenças, a violência, a insegurança, os conflitos, as tragédias urbanas, as injustiças, são formas perversas de pecado social, e que somente Jesus Cristo pode redimir, porque ele é Salvador do Mundo.

Nesta Páscoa, olhemos para o nosso próximo, com um olhar renovado, afetuoso, verdadeiramente amigo. Há sempre alguém precisando de um tempo de atenção, um afeto, uma conversa amiga, um sorriso confortador. Deixemos de acusar tanto as pessoas, de sermos tão críticos, e não percebermos as coisas boas à nossa volta, o bom exemplo, aquele que se esforça por fazer o bem, que está próximo de nós e tem grande valor pessoal e humano. Saibamos fazer como Jesus que não veio para condenar mas para salvar. Quem não tiver pecado algum que atire a primeira pedra. Façamos desta Páscoa um tempo de renovação. Que nossos corações sejam lavados dos pecados, que possamos depois do tempo da Quaresma, favorável à oração, à penitência e ao jejum olharmos para a frente com a alegria da Páscoa, com aquele mesmo sentimento daqueles que viram Jesus ressuscitado, tendo um deles tocado em sua chagas, para se convencer de que Deus opera maravilhas, e a maior delas foi a de provar à toda a humanidade que venceu a morte, venceu o mundo, transfigurando em suprema glória. Que a convicção da vitória da vida sobre as sombras do pecado possam nos animar a viver um tempo novo, de coração aberto, verdadeiramente pleno de graça. Feliz Páscoa para todos.

(*) Valmor Bolan é doutor em Sociologia e-mail: valmorbolan@uol.com.br

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