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EUA: a conquista do espaço

(*) Mark Sommer
| Tempo de leitura: 3 min

O que impele o governo dos Estados Unidos na busca de uma defesa antimísseis? O presidente George W. Bush promete uma aceleração dos planos para colocar no espaço armas aparentemente defensivas, mas as razões apresentadas para justificar a criação dessa mãe de todos os sistemas armamentistas carecem de lógica. Os custos serão imensos. Não apenas em dinheiro (mais de US$ 500 bilhões nos próximos 20 anos) mas também porque provocará dificuldades com os aliados, inflamará os adversários e desencadeará uma nova corrida armamentista.

Tampouco há ameaça que justifique um gasto tão extravagante. Tomados em seu conjunto, os orçamentos militares anuais dos principais Estados perigosos, como Coréia do Norte, Iraque e Irã, não se equiparam sequer ao custo do último porta-aviões norte-americano. Assim, por que realizar tantos esforços para construir algo tão supérfluo? Parte da motivação que está por trás do National Missile Defense (NMD) é oferecer segurança em seus postos de trabalho aos milhões de norte-americanos mantidos pela generosidade do Pentágono. O propósito principal dessa empresa não é defensivo, em absoluto.

Trata-se, pura e simplesmente, de objetivos de dominação para ditar os acontecimentos em cada parte do Planeta. Na medida em que o futuro da humanidade está no espaço, o NMD representa uma apropriação encoberta do portal que conduz ao universo por parte de uma minúscula camarilha de militares e políticos, cujas ações são uma traição aos melhores interesses de seu próprio país e da humanidade em geral. Entretanto, esse cavalo de Tróia não será evitado simplesmente por meio das muitas e incisivas objeções técnicas ou estratégicas que são formuladas, por mais válidas que sejam.

Depois de ter realizado o trabalho prévio para sua apropriação do espaço durante mais de uma década, os chefes do Pentágono ganharam novos aliados nas duas eminências pardas do governo Bush, o vice-presidente Dick Cheney e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld.

Rumsfeld, um defensor destacado do NMD, encabeçou uma comissão do Congresso que divulgou um relatório, nove dias antes de Bush assumir a presidência, no qual recomenda que os Estados Unidos criem um centralizado departamento militar para o espaço, de hierarquia igual à dos fuzileiros e capaz de travar guerras tanto no espaço quanto a partir dele. Existe uma lei contra tudo isso, mas está cheia de lacunas e nunca entrou em vigor. O Tratado sobre o Espaço Exterior de 1967, adotado como lei internacional por pressão dos Estados Unidos, foi reafirmado em novembro passado por uma maioria de 163 a 0 na Assembléia Geral das Nações Unidas. Apenas EUA, Israel e Micronésia se abstiveram.

Um movimento com ampla base poderia unir-se em torno de uns poucos princípios-mestres. O espaço é um domínio sagrado, um bem comum universal, onde as guerras dos homens não têm um lugar válido. E seus usos adequados são pesquisa, educação, exploração, aventura e desenvolvimento de medicamentos e materiais que beneficiem toda a comunidade humana. A única força potente para reclamar o uso do espaço com altos propósitos é a de um público internacional que defenda uma causa comum, a fim de dispor de um destino melhor para nosso lar celestial.

(*) O autor, Mark Sommer, é ensaista, colunista e dirige o Mainstream Media Project, uma i-niciativa com sede nos EUA para levar novas vozes aos meios de comunicação.

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