Durante sua visita à região, Alckmin disse que irá se esforçar para concluir a duplicação da SP-294 ainda este ano
Classificada pelo prefeito de Marília, Abelardo Camarinha (PMDB), como o corredor da morte, a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), que liga Bauru a Marília, é uma preocupação constante para os motoristas que a utilizam todos os dias, ou mesmo esporadicamente. Mal conservada e sem acostamento em alguns trechos, a rodovia já foi usada politicamente pelo ex-governador Orestes Quércia (PMDB), mas até hoje pouca coisa foi feita para torná-la menos trágica.
A maior parte de sua extensão, de aproximadamente 100 quilômetros, é composta por pista simples. Em média, transitam por ela de 12 a 15 mil veículos por dia. Nos últimos cinco anos, nada menos do que 140 pessoas perderam a vida em algum ponto da Bauru/Marília. O sangue derramado pelas vítimas parece estar despertando novamente a atenção de autoridades municipais e estaduais. Em visita à região, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou, na semana passada, que a duplicação da Bauru/Marília é uma das prioridades de seu governo. Só não se sabe ainda se essa declaração é meramente mais um jogo político ou se trata-se de uma preocupação tão real quanto os perigos vividos por aqueles que viajam pela rodovia.
Embora a SP-294 tenha uma extensão que ultrapassa as fronteiras de Bauru e Marília, o trecho de maior incidência de acidentes é, de fato, entre essas duas cidades. A grande quantidade de veículos que circulam nesse trecho, pode ser a explicação plausível para justificar as estatísticas. Ao todo, a rodovia se estende por 340 quilômetros - ela começa em Bauru e termina em Panorama, na divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul.
Mais atenção
Na opinião do prefeito de Marília, a SP-294 precisa ser duplicada com urgência. Camarinha justifica sua preocupação argumentando que a rodovia serve para escoar uma boa parte da produção do Oeste do Estado de São Paulo, como frango, milho, soja, ovos, café, pecuária, metalurgia e indústria alimentícia. Além disso, o movimento de estudantes universitários também seria considerável.
A agricultura paulista tem um superávit na balança comercial de R$ 16 milhões. Então, ela merece receber uma melhor atenção do Estado, no escoamento de sua produção, disse. Camarinha acredita que, após a duplicação da Bauru/Marília, os pulmões da região Oeste do Estado serão abertos. O prefeito se diz incomodado também com a falta de segurança do local: Além da questão econômica da região, nós temos também a questão humana. São vidas que estão sendo ceifadas em razão do péssimo estado de conservação da estrada.
Durante a visita do governador Alckmin a Assis, na semana passada, ele teria dito aos prefeitos que o Estado irá fazer as obras de duplicação da rodovia em etapas, segundo contou o prefeito. Não satisfeito, Camarinha faz um apelo: A gente apela para que ele acelere essas etapas. Porque temos perdido dezenas de vidas todos os anos em razão das péssimas condições em que se encontra a rodovia. A Bauru/Marília, do jeito que está, virou um corredor da morte.
Segundo Camarinha, esse é um dos últimos trechos da malha viária paulista, cuja duplicação ainda não foi concluída. Essa obra já foi licitada, as empresas foram contratadas. Só falta autorização do governador, afirmou.
Informações do DER
Apesar das especulações em torno da duplicação da rodovia Bauru/Marília, a assessoria de imprensa do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), em São Paulo, informou que, oficialmente, não há nenhuma obra prevista no cronograma da autarquia para os próximos meses. Nem mesmo obras de melhoria, muito menos de duplicação.
Segundo a assessoria, as obras devem permanecer paralisadas até que o governo termine de renegociar as dívidas que possui com as empreiteiras.
150 milhões
De acordo com o presidente da Associação dos Municípios do Centro-Oeste Paulista (Amcop), Rodolfo Devito (PSDB), a duplicação da Bauru/Marília já é parte integrante do Orçamento do Estado para este ano. Foi o que lhe garantiu o governador durante uma audiência cerca de 25 dias atrás. Segundo Devito, que também é prefeito de Vera Cruz, a obra foi aprovada pela Assembléia Legislativa e está orçada em torno de R$ 150 milhões.
No entanto, o início das obras estaria condicionado a um hipotético sucesso do governo na realização do leilão da Cesp-Paraná, marcado o dia 16 de maio próximo. Caso a terceira maior geradora de energia elétrica do País seja efetivamente leiloada, o governador acenou com a possibilidade de usar uma parte dos recursos para realizar a duplicação da rodovia, em seu ponto mais crítico. O lance mínimo para a compra de 38,7% do capital social da Cesp-Paraná está fixado em R$ 1,739 bilhão. Devito faz questão de deixar bem claro que essa é apenas uma possibilidade. Segundo ele, não houve, em nenhum momento, um comprometimento do governador em reservar uma parte do dinheiro para a duplicação. Mesmo assim, ele se diz esperançoso com a existência de uma mera possibilidade.
O importante agora é que os prefeitos da Amcop reúnam-se com o governador, caso o leilão tenha sucesso, e solicitem que ele dê a ordem de serviço, para iniciar a duplicação. A parte burocrática está quase finalizada. Falta agora investir na parte política. A duplicação é uma possibilidade que pode ser concretizada por meio da Amcop, com seus 72 prefeitos., ressaltou Devito.