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Internet leva bauruenses à delegacia

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

A DIG/Garra tem recebido várias reclamações de bauruenses que afirmam ter tido a imagem denegrida na Internet

A rede mundial de computadores está levando bauruenses à delegacia. A ferramenta eletrônica que dá acesso a informações que ajudam a melhorar nosso repertório e nossa maneira de viver é a mesma que pode destruir ou traumatizar qualquer pessoa.

Exemplos não faltam. Muitos se tornaram públicos e marcaram a chegada da Internet no Brasil. Rackers que destróem arquivos e obtêm informações sigilosas já são quase que uma situação comum. Ultimamente, outros problemas estão surgindo e colocando os internautas em situações difíceis, especialmente porque não existe uma legislação específica.

Pessoas mal intencionadas usam os seus conhecimentos em informática para prejudicar a vida de seus desafetos. Em Bauru, já foram registrados vários casos que estão sendo encaminhados ao Departamento de Telemática de Crimes de Alta Tecnologia, delegacia especializada no assunto.

Homens com cabeça de mulheres, mulheres com imagens distorcidas e fotos sensuais são as reclamações mais comuns registradas na Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra). O delegado titular, J.J.Cardia, diz que as pessoas mal intencionadas tentam denegrir a imagem de seus inimigos usando a rede.

Na opinião dele, fica difícil enquandrar o autor da brincadeira em fatos típicos do Código Penal Brasileiro. São crimes novos. não temos legislação específica. Estamos enviando para a delegacia especializada, na Capital, que nos norteia nas investigações.

Bloquear

Existe no mercado de informática sofwares que limitam o acesso a determinados sites, explica a gerente de comunicação de uma provedora, Luciane Miranda de Faria. Na opinião dela, este artifício físico não resolve o problema.Eles permitem o bloqueio a partir de uma palavra, uma frase ou pelo endereço do site. Porém, a Internet é muito dinâmica. No dia seguinte, outros sites poderão estar com o mesmo conteúdo que foi proibido.

A Internet é um veículo de comunicação, frisa a gerente. Só que permite a interação entre as pessoas. Nesse meio existem pessoas bem e mal intencionadas e é exatamente aí que está o perigo. Na maioria dos casos temos pessoas bem intencionadas, mas temos que tomar cuidado, porque não se conhece a pessoa com a qual se está se correspondendo.

A gerente faz uma analogia para explicar melhor a situação.É como se você estivesse abrindo a porta de sua casa para um desconhecido. Com informações sobre sua máquina, o desconhecido pode tanto fazer o bem, como o mal. Não existe nada em Internet que seja 100% seguro. As provedoras usam vários obstáculos para impedir o acesso dos rackers.

A seleção de conteúdo é uma das maneiras de usar a Internet para enriquecer repertórios, fazer pesquisas etc. Há dois anos os sites pornográficos eram os que recebiam mais visitas. Hoje, a situação já inverteu. A Internet brasileira está na fase de amadurecimento.

Perigo a vista

A web-can, uma minicâmera acoplada ao computador, permite que os internautas se vejam enquanto trocam idéias pela Internet. Se por um lado o equipamento oferece mais uma alternativa de comunicação, através de imagens, é um perigo constante, alerta a gerente da provedora. Ela permite que você veja a pessoa com quem você está conversando, desde que ela também possua uma web-can. É uma câmera que está te filmando. É uma troca de arquivo digital que você pode gravar o tempo todo, sem que o outro saiba da gravação. É sempre perigoso.

Ela ressalta que os internautas que fazem uso do equipamento devem lembrar que ao mesmo tempo que ele está vendo o outro, ele está sendo visto. Suas imagens podem ser gravadas e mal utilizadas. O adolescente pode não ter consciência das conseqüências disso, mas sabe que está sendo visto.

Os pais devem tomar muito cuidado com o uso da web-can, porque as imagens colhidas através da minicâmera podem ser disponibilizadas em sites para prejudicar a pessoa. Fato que já ocorreu em Bauru e está sendo investigado pela DIG/Garra.

A gerente acredita que os pais devem alertar seus filhos sobre os perigos a fim de evitar problemas. Sabemos que na prática surgem muitos problemas. Alguns nem chegam ao nosso conhecimento. Nos casos mais graves o juiz requisita o rastreamento para descobrir o autor da brincadeira..

Com as crianças, Luciane Miranda de Faria orienta um trabalho de educação para o uso da Internet. Já com os adolescentes é mais difícil. Acho que uma boa conversa pode colocá-los a par da situação e do perigo.

As imagens divulgadas através da Internet, segundo ela, que possam denegrir a imagem de alguém, ou mesmo aquelas que são divulgadas sem autorização prévia da pessoa, podem resultar em processos para o autor. Em alguns casos são considerados crimes.

A provedora, de acordo com a gerente, monitora 24 horas o sistema, a fim de evitar a ação dos rackers e de estranhos invadindo outras máquinas. Temos como prever os ataques, na maioria dos casos.

Internet exige limites

A Internet é uma ferramenta de informação e de entretenimento. Da mesma forma que os pais impõem aos filhos limites de horário para chegar em casa, observam as companhias, isso deve acontecer com a Internet, ressalta a psicóloga Andréia Georges.

Segundo ela, a orientação através do diálogo com os filhos é a melhor forma de evitar que as crianças e adolescentes se relacionem virtualmente com pessoas mal intencionadas. Os filhos precisam saber que existem pessoas bem e mal intencionadas.

Os perigos do relacionamento virtual são muito semelhantes aos do nosso cotidiano. A Internet traz uma situação nova, mas que pode ser resolvida com o diálogo entre pais e filhos. Os filhos devem ser orientados a não fornecer dados pessoais, endereço da escola que estudam, enfim tudo o que pode identificar.

Para que a orientação seja eficaz, alerta a psicóloga, é necessário que os pais explicam o porquê. Os pais devem explicar o porquê, para que os filhos se convençam da real situação.

Para evitar que os filhos menores acessem sites de pornografia, os pais devem estar sempre atentos. Instalar o computador em local de circulação comum da família é uma das maneiras que pode ajudar nessa tarefa. Pois com os familiares circulando pelo local, dificilmente os menores irão acessar sites que não sejam adequados.

Quando os filhos se fecham no quarto ou no escritório e ficam horas no computador os pais devem ficar alertas. Procure levar um suco e observar o que ele está fazendo. Use sempre o diálogo para resolver as questões.

Andréia ressalta que a sexualidade faz parte da vida do ser humano. É importante que os pais falem sobre sexualidade com os filhos. Se eles têm educação sexual em casa, não vão procurar saber através da Internet. Sozinhos, eles podem obter informações desencontradas, destorcidas que vão influenciar na educação sexual deles.

Varar a madrugada na Internet não é aconselhável para crianças e adolescentes. Pode prejudicar o processo de aprendizagem escolar. A criança ou o adolescente com sono, cansado, não se concentra, não presta a devida atenção às explicações dos professores.

O uso da Internet com equilíbrio não prejudica. O excesso é prejudicial, não só na Internet. Se a criança ou o adolescente ficar lendo gibi a madrugada toda, também irá prejudicá-lo.

Outro aspecto enfatizado pela psicóloga é quanto ao físico. A pessoa que fica muito tempo no computador pode ter problemas de coluna, visão etc. Ela lembra que o ser humano não é só mente. Ele é físico, afetivo, também. Na vida da criança e do adolescente deve ter espaço para estimular essas áreas.

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