Jaú - Estudantes universitários que estão participando, desde a última sexta-feira, dos jogos da Intermed, evento que reúne alunos de diversas faculdades paulistas de Medicina, estão tirando a tranqüilidade dos moradores de Jaú. Acostumados a uma rotina menos barulhenta, as famílias que residem próximas aos alojamentos dos atletas universitários têm procurado insistentemente a Prefeitura e a Polícia Militar na esperança de ver retomada a paz que repentinamente desapareceu.
De acordo com o comandante da 1.ª Companhia de Polícia Militar de Jaú, capitão Airton Troíjo, as chamadas policiais aumentaram bastante, desde sexta-feira passada, quando os cerca de três mil estudantes começaram a chegar à cidade. Segundo ele, a PM já previa, com base em experiência de anos anteriores, que a normalidade seria quebrada com a chegada dos universitários. Já esperávamos isso. Tanto é que organizamos previamente um esquema de reforço usando o auxílio de policiais de Barra Bonita e Dois Córregos, contou o capitão.
As infrações mais comuns cometidas pelos estudantes, de acordo com levantamento da PM, é a perturbação do sossego, excesso no consumo de bebidas alcoólicas e infrações de trânsito.
Como os locais mais críticos são os alojamentos, Troíjo informou que estão sendo feitas sucessivas rondas policiais nas proximidades, na tentativa de inibir os mais exaltados. Esta foi uma das alternativas que a PM encontrou para atender aos apelos dos moradores que estão se sentindo incomodados com a presença dos estudantes, que buscam de todas as formas extravasar em suas atitudes.
Capitão Troíjo cita o atentado violento ao pudor praticado por um universitário como um dos exemplos do que esses jovens são capazes de fazer em sua euforia. Troíjo conta que apesar do esforço dos policiais não foi possível prender um estudante que ficou nu dentro do Ginásio de Esportes, enquanto era realizada a abertura dos jogos. Segundo o capitão, a ação foi fotografada pela imprensa local. A foto foi requisitada pela delegacia.
A explosão de uma bomba no Jardim Estádio e os danos causados a uma escultura, próximo ao Hospital Amaral Carvalho e a um dos alojamentos também estão sendo objetos de investigação policial. Ainda não se sabe se esses casos têm ligação com os estudantes. Na tentativa de esclarecer o episódio, o responsável pelo alojamento próximo ao hospital deve ser ouvido pela PM.
Prefeitura
Se os moradores, que residem próximo aos alojamentos, estão reclamando da atitude pouco amistosa dos visitantes, a Prefeitura, por sua vez, vê com bons olhos a presença de tantos universitários. O motivo alegado não é outro senão o financeiro.
Segundo cálculos, cada estudante deve gastar, em média, R$ 50,00 por dia com alimentação, bebida, combustível. Sem contar aqueles que preferem ficar hospedados em hotéis. Somando tudo, a Prefeitura estima que o comércio da cidade deve receber uma injeção de cerca de R$ 1 milhão, durante os sete dias de jogos.
Quanto ao incômodo que os universitários estariam trazendo a alguns moradores, a assessoria de imprensa da Prefeitura definiu apenas como sendo resultado do espírito moleque da juventude e que reuniões com os organizadores dos jogos já teriam sido feitas para tentar amenizar as reclamações.