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Interior paulista fica mais rico

David Torres
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Em um trabalho de campo extremamente interessante, o professor de geografia da Universidade de São Paulo, Rodolfo Prates, registra um continuado movimento de transferência de empresas industriais da região metropolitana da Grande São Paulo para o interior do Estado. O deslocamento segue, preferencialmente, os principais eixos rodoviários e as cidades escolhidas para alocação dessas indústrias são aquelas que apresentam uma boa infra-estrutura de serviços, vantagens fiscais, mão-de-obra qualificada e boa qualidade de vida.

Mas, o estudo do professor Prates não se atém somente às empresas que se transferem da capital e arredores, inclui também empresas novas ou filiais abertas por empresas já estabelecidas. No trabalho do professor há uma quantificação em números de empresas que optaram pela mudança para o interior. Para o eixo Anhanguera/Bandeirantes foram 37 empresas, para o eixo Castelo Branco foram 19, para o eixo Fernão Dias foram sete, para o eixo Dutra mais seis e para outros mais dez, num total de 79.

Os municípios mais atraentes, segundo o estudo, são os de Sorocaba e arredores, que ficou com 16 empresas, Jundiaí com 11, Indaiatuba com 10, Campinas com 8, Bragança Paulista com 5 e Cubatão, Piracicaba, Santos, Jundiaí, São José dos Campos, Americana, Limeira, São João da Boa Vista, Botucatu, Bauru, Rio Claro, Araraquara, Araçatuba e Franca com as demais. Esse deslocamento de investimentos rumo ao interior, mesmo pondo de lado as razões do empresário que procura mais rentabilidade para os seus negócios, apresenta outros aspectos positivos. O maior de todos é a geração de riquezas em amplas áreas do interior.

Os benefícios gerados são notórios: desconcentração do parque industrial de uma área já dramaticamente congestionada como a Grande São Paulo, fixação da população em seus municípios com a oferta de empregos e oportunidade de negócios, geração de receitas tributárias para os municípios, possibilidade de inclusão de populações marginalizadas no mercado de trabalho e de consumo, incentivo à escolarização das crianças e dos jovens para aquisição de qualificação profissional. A região da Grande São Paulo tem reclamado da evasão de empresas industriais, mas sem razão, tendo em vista seus ganhos como crescimento do setor de serviços, além de um processo de descongestionamento benéfico para a qualidade de vida de sua população, em especial a da Capital.

David Torres presidente do Sinafresp

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