Geral

Cadastro para reforma agrária atrai 266

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação sobre o cadastramento, nos Correios, por parte do MST, colaborou para aumento no número de interessados

O cadastramento de famílias interessadas em participar do processo de reforma agrária oferecida pelo Governo Federal ganhou força, ontem, devido a uma ação promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que ampliou a divulgação do processo, durante a semana passada, e orientou os interessados sobre os procedimentos necessários. O cadastramento, que teve início em dezembro, contava com 96 inscritos em Bauru, até domingo. Ontem, após divulgação feita pelo MST, mais de 170 pessoas preencheram os formulários de inscrição, de acordo com a assessoria de comunicação dos Correios.

De acordo com Marcelo Netto Rodrigues, membro do MST, a proposta do Governo Federal é de cadastrar as pessoas interessadas em receber terras, processo que vem sendo realizado desde dezembro de 2000. Essas pessoas seriam selecionadas e receberiam, em cerca de três a quatro meses, uma resposta oficial sobre a aptidão para o recebimento das terras. Já que eles estão se comprometendo a distribuir terras, nós estamos apoiando e incentivando o cadastramento. Desta vez, não estamos contra o governo, mas divulgando uma iniciativa do próprio governo, enfatiza.

Durante a semana passada, as ações do MST consistiram em percorrer os bairros periféricos da cidade, como Núcleo Fortunato Rocha Lima, Parque Santa Edwirges, Pousada da Esperança e Parque Jaraguá, entre outros, para divulgar o cadastramento. A divulgação na televisão, por parte do governo, vem sendo muito fraca. Parece que eles não querem que muitas pessoas façam o cadastramento. Por isso, decidimos ampliá-la. Nós queremos pressionar o governo a assentar as pessoas que se cadastraram e que querem ir para a terra. O Brasil tem terra suficiente para que quem quiser ir para a terra possa ir. Só na regional de Iaras, que abrange Agudos e outras cidades, são 150 mil hectares de terras devolutas, que foram invadidas por fazendeiros que não efetuaram o pagamento e que devem ser devolvidas ao governo. Isso poderia esvaziar muitas favelas e sanar dívidas sociais, expôs Rodrigues.

De acordo com a assessoria de comunicação dos Correios, mais de 170 pessoas compareceram ao cadastramento no dia de ontem, em Bauru. Além disso, muitas outras compareceram à agência central dos Correios e, entretanto, não puderam realizar o cadastramento por falta de documentos - CPF e cédula de identidade. Elas devem retornar nos próximos dias.

No entanto, o grupo do MST que está acompanhando o cadastramento na agência dos Correios afirmou que cerca de 350 pessoas preencheram fichas ontem, em Bauru. Eles possuem uma ficha com dados sobre os interessados que compareceram ao local durante o dia de ontem e afirmam que devem acompanhar as notificações expedidas pelo governo sobre a aceitação dos pedidos de distribuição de terras. Até agora, a grande maioria das pessoas aqui da região recebeu resposta negativa do governo. Nós queremos ver qual será a resposta para toda essa quantidade de pessoas que está se cadastrando. Até agora, pelo que constatamos, cerca de 99% das pessoas que compareceram estão aptas a receber terras. O número de pessoas cadastradas vai demonstrar a falsa reforma agrária que o governo está propagando, se arrisca a afirmar o integrante do MST.

Ato

No próximo dia 16 de maio, integrantes do MST e cadastrados para a reforma agrária devem reunir-se em frente à agência central dos Correios, num ato com o objetivo de chamar as pessoas ao cadastramento, que deve acontecer até novembro deste ano, de acordo com Marcelo Netto Rodrigues.

Ele acrescenta que o grupo deve reunir-se todos os dias 16 de cada mês, com a finalidade de discutir as respostas enviadas pelo governo às pessoas que se cadastraram, num acompanhamento mensal. De acordo com Rodrigues, se o número de respostas negativas for grande, uma assembléia deve ser convocada para que os interessados possam colocar suas opiniões e para que novas propostas sejam discutidas para a conquista de terras.

Comentários

Comentários