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O resultado da Operação Semana Santa na área patrulhada pelo 2º Batalhão da Polícia Rodoviária é trágico: 17 mortes contra apenas 4 registradas no mesmo período do ano passado.

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Balanço da Operação Semana Santa da Polícia Rodoviária registra um aumento de 325% no número de mortes

Encerrou ontem a Operação Semana Santa, desenvolvida pela Polícia Rodoviária em todo o Estado de São Paulo. Na área do 2.º Batalhão, o saldo não foi nada positivo. Foram 17 mortes contra quatro registradas no mesmo período do ano passado. O aumento foi de 325%.

Dos acidentes que resultaram em mortes, 80% ocorreram no período noturno e 90% em pista simples, o que remete à falta de atenção do motorista. O número de vítimas graves também aumentou em relação ao ano passado. Saltou de 29 para 36. Só o número de vítimas leves é que reduziu. Caiu de 108 para 90.

O total de acidentes registrados na operação foi 4,85% menor, assim como o número de autuações lavradas no mesmo período, que decresceu 12,55%.

Outro dado assustador foi o número de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) apreendidas, que aumentou em 230%, saltando dos 10 para 33.

CNH apreendidas

Chama a atenção de quem analisa com calma o balanço da Operação Semana Santa o número de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH) apreendidas pela Polícia Rodoviária, em três dias. Este ano foram 33 e, de acordo com o tenente Mário Donizete dos Santos, 95% delas foram por um mesmo motivo. Exame médico vencido.

Nem mesmo a coincidência proposital entre a data de vencimento do exame e o dia do aniversário do proprietário da carteira foi suficiente para evitar descuidos, observou o tenente. Os motoristas não dão a devida importância a esse detalhe e quando são abordados pela polícia, eles ficam surpresos, disse.

Mesmo os 30 dias de carência, aceitos pela legislação de trânsito, não são suficientes para mobilizar as pessoas habilitadas no sentido de procurar a regularização da situação. Depois de apreendida, a CNH é enviada pela Polícia Rodoviária à Ciretran de origem, ou seja, onde ela foi expedida, e somente é retirada pelo proprietário após a apresentação do exame médico devidamente atualizado.

Se no momento da abordagem policial o motorista infrator não contar com um companheiro, devidamente habilitado, para seguir viagem, o veículo também fica retido, informou o tenente.Razura e suspeita de documento falso são os outros motivos, embora menos comuns, para apreensão da CNH.

"Não há o que comemorar" lamenta o tenente da PR

Texto: Adilson Camargo

O aumento de 325% no número de mortes registrado durante os três dias da Operação Semana Santa deixou apreensivo o comando do 2º Batalhão da Polícia Rodoviária, com sede em Bauru.

Na avaliação do tenente Mário Donizete dos Santos, mesmo com a chegada do novo Código Nacional de Trânsito, em vigor desde 1998, não houve a esperada melhora no comportamento dos motoristas. Esse dado é bastante preocupante. Ele revela que não estamos caminhando para uma melhoria nas condições de trânsito. Infelizmente, não há o que comemorar.

Para o tenente, esse aumento no número de vítimas fatais, verificado durante o feriado da Páscoa, não chega a ser exatamente uma surpresa. Segundo ele, nos últimos fins de semana a Polícia Rodoviária já havia notado um acréscimo na quantidade de acidentes. Chegou-se, de acordo com o tenente, a uma média de dez pessoas mortas.

O que mais tem desanimado os policiais é a constatação de que praticamente todos os acidentes são provocados pela imprudência dos motoristas.

Segundo o tenente Mário, essa é uma conclusão tão clara quanto triste. As estatísticas da Operação Semana Santa revelam que sete dos 15 acidentes com vítimas fatais registrados correspondem a colisão frontal.

Na opinião do tenente, esse tipo de acidente só acontece em pista simples e em decorrência de ultrapassagem em local proibido. Apesar dos constantes alertas feitos pela Polícia Rodoviária e por campanhas publicitárias, as estatísticas mostram que a conscientização de boa parte dos motoristas não é algo fácil de se obter.

O tenente Mário acredita que somente o investimento nas novas gerações de motoristas poderá redundar em resultados práticos mais positivos. O grande problema disso, segundo lembrou ele, é saber que até que essa possibilidade se transforme em uma realidade muitas vidas continuarão sendo ceifadas.

O Código de Trânsito que a gente depositava tanta esperança está desacreditado. É preciso fazer alguma coisa, porque eu não sei aonde vamos parar com as mortes crescendo desse jeito, lamenta.

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