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Celular de mototaxista será rastreado

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A mototaxista Patrícia Correia Lima desapareceu na manhã da última quinta-feira, após ser chamada para duas corridas

O titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra), J.J. Cardia, pediu autorização judicial para que a Telesp Celular faça e forneça o rastreamento das ligações feitas e recebidas pela mototaxista Patrícia Correia Lima, 30 anos, nos últimos dez dias. Patrícia desapareceu na manhã da última quinta-feira, depois de ter sido chamada para duas corridas. A polícia trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), mas não descarta outras possibilidades.

Não descartamos nenhuma hipótese antes de checá-las.As investigações são como um quebra-cabeça que nós vamos juntando as peças, afirmou J.J. Cardia, ontem. Várias pessoas já foram ouvidas pela equipe designada para tentar elucidar o desaparecimento. Uma investigação demanda tempo, não é tão simples quanto parece, disse Cardia.

Sobre a quem achou o celular da mototaxista na rodovia Marechal Rondon, Cardia disse tratar-se de pessoa idônea. Ele tem emprego fixo e não possui antecedentes criminais. Segundo o delegado, o rapaz que encontrou o celular alegou ter fornecido nome errado porque não sabia com quem estava falando e nem quem era o dono do aparelho.

Irmão procura o corpo

O irmão de Patrícia Lima, Sidnei Olivio Correia Lima, que mora em São Paulo, está em Bauru procurando a irmã. Ele acredita que a irmã foi vítima de roubo seguido de morte. Eu acho que foram roubar a moto e ela reagiu. A Patrícia não tinha medo de nada, enfrentava as situações. Ele está ansioso porque não recebe informações concretas. Ninguém sabe de nada.

A hipótese de Patrícia ter sido morta por um inimigo é descartada pelo irmão. Eu não moro aqui, mas minha tia e minhas primas me garantiram que ela era uma pessoa muito querida. Desconhecemos que ela tivesse alguma dívida pendente. De acordo com Lima, até ontem à tarde a mãe deles não sabia do desaparecimento da filha. Ela tem problemas psicológicos e como estava passando a Semana Santa em Três Lagoas, na casa de parentes, pedimos para ela não voltar. Vamos ter que procurar a psicóloga dela para contar sobre o desaparecimento.

Eliana Rodrigues Lolo, tia de Patrícia, estranha a forma como o celular foi encontrado. O aparelho é novo e não tinha um arranhão e nem estava amassado. Se caiu da moto, deveria estar em outro estado, supõe.

Procurando desvendar e achar alguma pista, outra tia da mototaxista, Arcione Rodrigues Ducatti, diz não aceitar dois pontos. Há um desencontro de horários. Outro ponto questionado por ela é quanto as informações desencontradas ditas pelo rapaz que encontrou o celular que estava sendo usado pela sua sobrinha.Ele mentiu o nome e endereço, por quê?

Segundo a tia, os vizinhos de Patrícia e o frentista do posto onde ela abastecia a moto garantem que às 8h30 de quinta-feira a mototaxista estava no posto. Os vizinhos garantem que ela saiu de casa entre 8 horas e 8h30. O frentista fala que ela abasteceu a moto às 8h30 e que falou que ia fazer duas corridas para fora de Bauru. Se ela foi vista às 8h30, como o celular foi encontrado, por volta das 7h30, próximo do Makro?, questiona a tia. Ela diz que já entregou suas dúvidas ao delegado que investiga o caso.As minhas dúvidas eu falei com o delegado. Não quero atrapalhar as investigações.

Na opinião de Arcione Ducatti, a história está mal contada. Não tenho pistas e nem sei de nada, mas acho que a história está mal contada. No dia em que ela desapareceu, ia para uma chácara com amigos e eu estava fazendo um pirão para ela levar. Fiquei sabendo que ela tinha desaparecido porque o avô dela morreu e nós estávamos tentando comunicá-la, mas o celular que ela estava usando, de propriedade de uma amiga, só dava caixa postal.

Profissão arriscada

Os mototaxistas do ponto que Patrícia trabalhava, na avenida Duque de Caxias, estão receosos em falar. Sem se identificar nem permitir fotografias, afirmam que as investigações estão lentas demais. A polícia não está se empenhando. Acho que ao invés do Gepom ficar atrás da gente, deveria tentar encontrar a Patrícia, disse um deles, que não quis se identificar.

Ele acredita que o rastreamento das ligações feitas e recebidas pela mototaxista já deveria ter sido feito. Até eu que não sou investigador sei que a Telesp fornece esses dados. Eu acho que ela foi roubada e eles não descobrem nunca.

Na opinião dele, o roubo foi praticado por alguém muito chegado de Patrícia. Ela perdeu o celular dela. Uma amiga emprestou um aparelho para ela há uma semana. Poucas pessoas tinham o número. Ela distribuiu o número apenas para alguns clientes.

Outro mototaxista diz que no dia do desaparecimento, Patrícia passou pelo ponto e falou que iria fazer duas corridas fora de Bauru. À noite ela ia para uma chácara com uma família de amigos.

Segundo os mototaxistas, no último domingo, um telefone na casa de Patrícia informou que ela estava amarrada no Leão 13. Nós fomos todos para lá, mas não encontramos nada. A polícia mandou uma viatura do trânsito.

Eles confirmam que a vítima não trabalhava no período noturno. Ela trabalhava no máximo até as 17h30. Os mototaxistas alegam que estão aguardando uma pista da polícia para agirem. Se tiver algum ponto a ser vasculhado, nós podemos ajudar, mas até agora não temos informações concretas.

Trabalho arriscado

O mototaxista Fábio Willian Ramos, 26 anos, do ponto da avenida Rodrigues Alves com Virgílio Malta, acha um absurdo o que aconteceu com Patrícia. Todos nós estamos correndo o mesmo risco. Carregamos pessoas desconhecidas e vamos a locais perigosos.

Wagner Rogério Pereira, 27 anos, mototaxista do mesmo ponto, rejeita passageiros duvidosos.Quando eu suspeito de alguém dou uma desculpa e não faço o transporte. É melhor não arriscar. Na opinião dele, o desaparecimento da mototaxista serve de alerta a todos os outros. Nunca fui assaltado, mas tomo minhas precauções. Não trabalho no período noturno.

Ele acha que o desaparecimento está relacionado a um roubo. Ela tinha uma moto CB 500. Nós usamos motos 125 cilindradas. A moto era nova e muito visada pelos ladrões.

O mototaxista Guilherme Georges de Oliveira, 34 anos, acha que a profissão é muito arriscada, tanto para homem como para mulher. Eu dou preferência para os clientes que eu conheço. Dependendo do local e da aparência do passageiro, rejeito a corrida.

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