Quase 20 professores, um deles especializado no atendimento a deficientes auditivos, foram demitidos após reformulação
O Centro Estadual de Educação Supletivo (Ceesub) de Bauru, localizado na Vila Falcão, escola que atende cerca de dois mil alunos em cursos supletivos (ensinos fundamental e médio), está funcionando com apenas 22 dos 40 professores que lecionavam na unidade no ano passado. Os demais professores, inclusive um especializado para atender estudantes deficientes auditivos, foram demitidos após a reformulação do Ceesub, feita pela Secretaria Estadual de Educação.
A confirmação da redução no quadro de professores foi dada ao JC pelo supervisor de ensino Paulo Maximino, da Diretoria de Ensino de Bauru. Ele afirmou, no entanto, que a Diretoria de Ensino solicitou à Secretaria Estadual de Educação a recontratação dos professores. A demissão do professor que atendia os estudantes deficientes auditivos está gerando reclamações entre alunos e pais de alunos.
Hélio Antônio Villar Pimentel reclamou ao JC que seu filho, Bruno Bittencourt Villar Pimentel, 19 anos, que é deficiente auditivo, não está estudando neste ano porque não se adaptou a professores não especializados a trabalhar com deficientes. O Ceesub é uma escola de ensino supletivo não presencial, ou seja, não exige freqüência diária do aluno. Ele estuda em casa e vai à escola para esclarecer dúvidas com o professor.
Quando achar que está preparado, faz a prova da disciplina que estudou, até eliminar todas as disciplinas. Só então, recebe o certificado de conclusão da série que está cursando. Assim, o tempo para conclusão do curso depende apenas do aluno, que pode estudar uma ou várias disciplinas de uma vez.
Pimentel disse que existem muitos outros estudantes na mesma situação de seu filho, que não estão conseguindo prosseguir os estudos após a demissão do professor que atendia a sala especial de deficientes auditivos. Bruno, segundo contou, estava estudando a disciplina de Matemática referente à 8.ª série.
O supervisor de ensino Paulo Maximino disse que, com a mudança sofrida pelo Ceesub, não é mais previsto professor para sala especial, que é o caso do professor que atendia os estudantes com deficiência auditiva. Ele contou que o Conselho Municipal dos Deficientes enviou, inclusive, ofício à Diretoria de Ensino solicitando a volta da sala especial.
Maximino não soube precisar se a Secretaria Estadual de Educação já deu algum parecer ao pedido de recontratação dos professores demitidos, uma vez que o assunto estava sendo tratado pelo dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, que está em férias. Continuam com salas especiais para deficientes as escolas estaduais Luiz Braga, localizada no Jardim Europa, e Joaquim Michielli, que fica no Jardim Cruzeiro do Sul, de acordo com Maximino.