Em 1.º lugar, parabéns ao JC e à excelente jornalista Daniela Bochembuzo que, sem pieguice mas, de forma séria e com responsabilidade profissional relataram o drama do bauruense e enxadrista Ronaldo Del Gallo, que sintetiza a dramaticidade não-virtual, não-retórica, mas sim real do ser humano e seu convívio ao contexto social (verdadeira lição de vida).
Conheci o ex-enxadrista do BTC Ronaldo nos seus tempos de glória e as lembranças que tenho dele são as melhores possíveis como a de um jovem inteligente e sonhador, amável com os amigos e também, otimista em relação à vida e tudo mais, bem diferente do Ronaldo estampado na 1ª página do JC de domingo, parecendo-se mais com a versão humana da plataforma da Petrobrás P 36, que afundou recentemente na bacia de Campos, e que toda a sociedade assistiu complacentemente e, apesar de todos os esforços, sucumbiu ao final.
O que leva uma pessoa aos 40 anos de idade (dizem que a vida começa aos 40) mostrar-se desiludida da vida, desesperançosa e também, sem a mínima intenção de recuperar sua auto-estima e também, dignidade a ponto de dizer que não tem mais jeito, não quer mudar e que já jogou a toalha. No caso do exemplo a não ser seguido do Ronaldo de hoje , como ele mesmo argumenta foram os conflitos familiares, os vícios, as drogas legais e ilegais, os falsos amigos e também, uma certa pitada de repulsa a convenções sociais que o levaram a esta situação dramática. No entanto, existem outras pessoas com estas mesmas características que não estão na sarjeta, tampouco estão no fundo do poço e que até gozam de respeito pela sociedade. Por certo o personagem Ronaldo não teve muita sorte na vida. Agora, o que a sociedade fez, ou melhor, pode ainda fazer, por esse trapo humano de forma a restituir-lhe a esperança e a oportunidade de uma vida melhor?
Pela entrevista e pela maneira como o inteligente enxadrista emitiu suas opiniões, percebe-se que o Ronaldo finge-se ironicamente ignorante quando entrevistado, porém, dirige a entrevista de modo que os papéis, ao fim se invertam, revelando-se ignorante a entrevistadora e inteligente o aparente ignorante. (Xeque-Mate)!
Diante de tais fatos, da sociedade bauruense (representada no caso específico pelo Bauru Tênis Clube), cumpre recuperar e ressocializar o (gênio) Ronaldo dando-lhe uma real oportunidade para que ele recupere seu amor-próprio, o amor ao próximo, sua dignidade e também, sua cidadania bauruense. Que seja dada a ele a oportunidade de passar de um (P36) para um (T64) - Tabuleiro - e com isso, certamente, ele vencerá este jogo da vida e quem sabe, poderá ajudar outros Ronaldos a mudar de vida. Para tanto, também, torna-se necessário que o sr. Ronaldo Del Gallo mude um pouco sua maneira de pensar e bastante sua maneira de agir. (Aurélio da Silva Braga - RG. 12.912.493)