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Sindicato dos Bancários faz críticas ao PDV do Banespa

Redação
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Ontem, o Banespa lançou o já esperado Programa de Demissão Voluntária (PDV) do banco, para o qual os funcionários devem optar pela adesão, ou não, até o próximo dia 25. O programa está sendo oferecido para 18 mil dos 22,3 mil empregados da instituição em todo o Brasil. O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região considerou muito fraco o conteúdo do plano e, em função disso, prevê que o número de adesões não será grande.

A assessoria de imprensa do banco informou que a diretoria do Banespa não fez nenhuma projeção em relação à expectativa de adesões que possam vir a ser feitas e que o PDV faz parte do processo de modernização da instituição.

De acordo com o assessor de comunicação do sindicato, Marcos Silvestre, o PDV inclui a obtenção de todos os direitos garantidos por lei nos casos de demissão sem justa causa, como multa de 40% pela rescisão de contrato, saldo de férias e de 13.º salário etc, mais a indenização adicional para os trabalhadores, prevista no acordo coletivo da categoria, com vencimento neste mês de abril. Essa indenização prevê o pagamento de um salário a mais para quem tem até cinco anos de trabalho no banco, dois salários para funcionários com até dez anos de casa e três salários adicionais para quem tem mais de dez anos de banco.

Além desses benefícios garantidos por lei e pelo acordo coletivo, o Banespa está oferecendo, no PDV, a Indenização do Programa de Desligamento Voluntário. O conteúdo é o seguinte: quem é funcionário do banco há até dez anos e aderir, receberá três salários adicionais; quem tem de dez a 15 anos de banco, ganhará mais cinco salários; quem tem de 15 a 20 anos de casa, será indenizado com seis salários; quem tem entre 20 e 25 anos de casa e aderir, receberá mais sete salários; e quem é funcionário do Banespa há mais de 25 anos, terá direito a uma indenização de oito salários.

De acordo com Marcos Silvestre, o sindicato e os próprios funcionários do banco estão considerando a proposta do PDV muito fraca. Outros PDVs implantados anteriormente em bancos e empresas, inclusive do próprio Banespa, na época da intervenção, foram bem melhores que esse. Uma pessoa que tem 25 anos de banco deve ter começado a carreira quando tinha por volta de 20 anos de idade. Hoje, terá cerca de 45 ou 48 anos. Para ela, é absurdo ganhar oito salários a mais por aderir ao plano sabendo que será extremamente difícil conseguir se recolocar no mercado de trabalho. Ou seja, esse dinheiro acabará rapidamente. Então, do ponto de vista financeiro esse PDV é muito ruim. Os próprios funcionários estão comentando isso, analisa.

De acordo com Silvestre, o sindicato é totalmente contrário a programas de demissão voluntária, não especificamente no caso do Banespa, mas em geral. Segundo ele, esses programas aumentam o risco de desemprego. No caso do banco, particularmente, o PDV representaria a extinção de postos de trabalho. O Banespa não está implantando esse plano com o objetivo de substituir mão-de-obra. O banco está fechando postos de trabalho e reduzindo o número de pessoas empregadas na sociedade, observa Silvestre.

No próximo sábado, a partir das 9 horas, será realizada uma reunião no sindicato para a qual todos os funcionários do Banespa estão convidados. Na ocasião, os diretores da entidade irão discutir os aspectos gerais e jurídicos do PDV e as suas conseqüências. O nosso papel, nesse momento, é de orientar os trabalhadores, porque a decisão é individual. Mas, certamente iremos esclarecer a todos os presentes na reunião que, financeiramente, esse PDV é muito ruim, afirma.

Redução não será alcançada

De acordo com Marcos Silvestre, a previsão do banco, já anunciada por analistas do mercado, sobre a redução de aproximadamente 10 mil funcionários, nos próximos meses, não será alcançada através do PDV. Não sabemos quais são as expectativas do banco com relação à adesão ao PDV. Mas, podemos dizer, sem nenhuma dúvida, que esse número de 10 mil demissões não será conseguido com o programa, por ser muito ruim. O banco trabalha com a política do terror. Anunciou que vai terceirizar vários setores e já extinguiu diversos outros. Essa semana, foi terceirizado, em São Paulo, o setor de microfilmagem, no qual trabalhavam 250 companheiros. Ou seja, o banco tira o serviço do funcionário, que fica encostado. Aí, lança o PDV. Nesse momento, muitos funcionários começam a pensar que serão demitidos pelo fato de terem perdido as suas funções e, dessa forma, acabam decidindo por aderir ao PDV antes de serem demitidos. Essa é a lógica com que o banco trabalha, diz Silvestre.

De acordo com o sindicalista, os funcionários do Banespa têm trabalhado cerca de duas ou três horas a mais, quase todos os dias, e que o banco não estaria pagando-os corretamente. Além disso, estariam sendo estipuladas metas acima do mercado para os empregados. O banco impõe o cumprimento de metas acima de mercado para os funcionários e faz ameaças, dizendo que, se não forem cumpridas, eles serão demitidos, observa Silvestre.

Tentativa de modernizar

A assessoria de imprensa do Banespa diz que o PDV faz parte do processo de modernização que estaria sendo implantado pelo banco, com o objetivo de adequá-lo às atuais condições de mercado. Segundo nota divulgada à Imprensa, além do PDV a diretoria do Banespa estaria tomando várias medidas para tornar o banco mais moderno, visando transformá-lo numa das mais avançadas instituições financeiras do País.

Por fim, a assessoria informa que o banco estenderá o plano de saúde por 12 meses aos funcionários que aderirem ao PDV e que, quem quiser, poderá ampliá-lo por mais um ano, por conta própria. Quem aderir, também será amparado por um programa de apoio à transição de carreira, segundo a assessoria.

Sobre as expectativas de adesão dos empregados ao PDV, nada foi informado.

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