Motorista de carro furtado, com placas clonadas, portava RG de um terceiro. Farsa foi descoberta pelas impressões digitais
Jaú - Documentos de identidade (RG) roubados e adulterados usados por ladrões podem incriminar pessoas inocentes. O alerta é do delegado Edson Maldonado, de Jaú. No último dia 10, policiais prenderam dois casais que viajavam num veículo que fora furtado em São Paulo.
O inquérito foi instaurado no nome de Luciano Lima Franco, que constava no RG do motorista. No entanto, o exame das impressões digitais dele apontaram tratar-se de Gabriel Alves Bezerra Pereira. A Polícia apura se o documento era falso ou roubado.
Segundo Maldonado, os casais foram abordados na rodovia que liga Jaú a Brotas, nas proximidades do motel Fênix. Verificando os chassis do veículo, que trazia placas dublês (quando se faz uma cópia de uma placa já existente), os policiais descobriram tratar-se de um carro furtado na capital paulista no dia 20 de março. Na época, o proprietário havia sido ameaçado com uma arma e obrigado a entregar os documentos do automóvel.
No último dia 10, quando abordaram os casais, o motorista apresentou-se como o proprietário do carro e foi preso em flagrante por receptação de veículo. Só que os investigadores desconfiaram que ele estava nervoso demais e, para legitimação dele, foi feita a colheita das impressões digitais, que hoje só é permitido em caso de desconfiança, explicou o delegado.
Segundo ele, a Constituição de 1988 prevê que a apresentação do documento é suficiente para identificar um cidadão e que a verificação digital só deve ser solicitada em caso de desconfiança ou falta do documento.
O resultado do exame apurou que trata-se de Gabriel Alves Bezerra Pereira, que é procurado pela Polícia de Praia Grande (litoral paulista) por homicídio e também responde por furto em São Paulo, comentou Maldonado. O homicídio teria ocorrido no dia 31 de dezembro passado, quando o indiciado participava de uma festa familiar de passagem de ano. Ele teria matado o namorado de uma moça após um desentendimento.
Segundo o delegado, Gabriel alega que entregou uma foto sua para o irmão, que conseguiria um RG falso para ele. Tal argumento está sendo considerado pela Polícia como uma contradição, pois esse irmão morreu há bastante tempo.
Nesse meio tempo, o advogado de defesa entrou com pedido de liberdade provisória para Luciano. Felizmente, o promotor se posicionou contra, mas o juiz ainda poderia aceitar. Então, encaminhamos toda essa documentação agora para a Justiça, que é para que ele não seja liberado, afirmou Maldonado.
O delegado explicou que se a identidade do acusado não fosse esclarecida, poderia ser expedido um mandado de prisão contra Luciano. Se o RG usado por Gabriel for falsificado e ele fosse liberado, ele jamais seria descoberto.
Mas, supondo que exista um Luciano Lima Franco (no caso, o RG teria sido roubado e a foto trocada), um inocente poderia ser preso, ficando detido por um bom tempo até que fosse provada a falsificação. A Polícia ainda investiga se o RG em nome de Luciano era falsificado ou se trata-se de um documento verdadeiro adulterado.
Segundo Maldonado, há cerca de dois anos, foi criado um sistema em que todo RG roubado é bloqueado imediatamente após o registro do boletim de ocorrência. A medida fez reduzir bastante os casos de falsificação.
Por isso, ele alerta: Como esta norma é recente, é interessante que as pessoas que tiveram seus documentos furtados antes disso procurem a Delegacia de Polícia, apresentem o BO (que deve ter sido registrado na época) e peçam o bloqueio. Elas podem estar evitando problemas futuros, concluiu.