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Parte dos índios resiste, diz cacique

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Cacique da aldeia Nimuendojú diz que luta pela preservação dos costumes indígenas que restaram é motivo para comemorar

Avaí - Haveria hoje, Dia do Índio, motivos para celebrações dentro das poucas aldeias indígenas que ainda restam no Brasil? Para o cacique da aldeia guarani Nimuendojú, em Avaí, Claudecir Marcolino, 34 anos, os motivos são poucos, mas existem. Ele entende que a resistência dos índios para tentar preservar o que ainda resta de sua cultura merece ser comemorada. Uma pequena parte das tribos ainda resiste contra o avanço da cultura do homem branco em nosso meio. Isso merece uma comemoração, justificou o cacique.

Dos poucos costumes que foram preservados, Marcolino cita as danças e a língua. Hábitos típicos dos povos indígenas, como a caça e a pesca, deixaram de existir há muito tempo, a começar pelas aldeias situadas nos estados mais populosos, como São Paulo, onde o processo de urbanização avançou rapidamente.

O cacique lamenta dizendo que tornou-se insustentável manter esses costumes. Como nós vamos manter a caça se não existe mais mata? Era dela que nós tirávamos nosso sustento e a madeira para construir as casas. Antes de passar a tomar café, nós tomávamos mel. Hoje, isso não existe mais. Manter a nossa cultura ficou muito difícil. Arco e flecha são usados apenas como peças de artesanatos, cuja venda serve para se obter um dinheiro extra.

A aldeia, de 186 índios, mantém hoje uma sala de aula onde é ensinada a língua tupi-guarani às novas gerações. Foi a forma encontrada para que pelo menos a língua materna dos povos guaranis fosse preservada. Durante uma visita às duas aldeias indígenas de Avaí - Nimuendojú e Araribá, esta última da tribo terena - é fácil notar que a cultura do homem branco neutralizou quase que completamente a indígena. As casas são de alvenaria, e dentro delas é possível encontrar fogão a gás, geladeira, televisão e água encanada. Ou seja, pouca coisa nas aldeias de hoje lembra as antigas, retratadas em livros e filmes. Nossa cultura está quase extinta, lamenta o cacique. Mesmo assim, ele acredita que ainda há motivos para festejar a data de hoje. Vamos continuar lutando para preservar o que ainda nos resta, declarou.

Protestos modernos

Avaí - Até mesmo as formas de protestos usadas atualmente pelos índios sofreram uma mudança e ficaram parecidas com aquelas usadas pelo homem branco. A história recente comprova mais essa mudança de comportamento. Em fevereiro, para pedir o afastamento do administrador da Funai de Bauru, Rômulo Siqueira de Sá, um grupo de índios descontentes chegou a invadir prédio público (escritório da Funai).

Os índios participaram ainda de uma sessão da Câmara Municipal, como forma de pressionar vereadores. Pediram auxílio aos advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público, além de manifestarem-se publicamente com faixas e cartazes.

Todas essas atitudes modernas foram aprovadas pelo cacique Claudecir Marcolino. Ele considera válida toda forma de protesto. No entanto, no caso específico da polêmica que envolveu a administração de Siqueira de Sá (acusado de desvio de verba), na Funai, o cacique se colocou numa posição contrária.

Não participamos (aldeia) do protesto porque acreditamos que está tudo errado. O cacique entende que não houve diálogo entre os próprios índios. A hierarquia, segundo ele, não foi obedecida. Alguns caciques teriam sido deixados de lado, durante as decisões. Houve um mal entendido entre a comunidade e a liderança, disse.

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