A cidade teve picos de 30 notificações por dia da doença, o que só foi amenizado com uma ação conjunta de 19 municípios
Borborema - A epidemia de dengue no município de Borborema já atingiu cerca de 4% da população da cidade, que tem 13.175 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De janeiro até agora, foram confirmados 515 casos da doença, de acordo com dados da Direção Regional de Saúde de Araraquara (DIR-7). A situação só foi amenizada nesta semana, graças a uma ação conjunta de 19 municípios da região, que cederam agentes para auxiliar no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
No período de pico da epidemia (entre fevereiro e março), chegamos a registrar 30 casos por dia. Essa semana já diminuiu bastante, comentou o secretário municipal de Saúde, Darci Longhini, informando que não houve notificações quarta-feira e houve apenas uma ontem - ainda não confirmada.
Segundo ele, a gravidade da situação acabou mobilizando autoridades de outras 19 cidades da região, que temiam a disseminação regional a doença. Nós temos a praia do rio Tietê em Borborema, que atrai muita gente de fora e os prefeitos ficaram com medo de que eles levassem a doença para lá, como chegou a acontecer em Ibitinga e Matão, ressaltou.
Em função disso, representantes dos 19 municípios reuniram-se com coordenadores da Superintendência para Controle de Endemias (Sucen) de Ribeirão Preto para traçar uma estratégia de combate à epidemia em Borborema. Cada município nos cedeu de um a quatro agentes, formando um mutirão de 70 pessoas para a visitação casa a casa. E a Sucen disponibilizou dez equipes, com dez bombas, para a nebulização da cidade, contou.
Longhini disse que o mutirão trabalhou até o dia 30 de março e que nenhuma residência ficou sem a vistoria. Passado o período de incubação da doença, que é de 15 dias, as notificações começaram a cair. Agora, 13 funcionários municipais e cerca de 10 agentes da Sucen estão trabalhando no bloqueio e visitação casa a casa. E a Prefeitura está limpando terrenos e notificando e multando moradores que não fazem a limpeza de seus quintais, informou o secretário.
Questionado sobre a colaboração dos moradores, tendo em vista que, em Bauru, os agentes encontraram resistência na visitação, Longhini disse que não houve problemas em Borborema. Talvez pela própria situação de epidemia, que sensibilizou e fez todos sentirem que o problema é sério, completou.
De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da DIR-7, Lais Serra, apesar dos altos índices de confirmação da doença, não houve nenhum registro de óbito por dengue hemorrágica. O município conseguiu atender, notificar e investigar todos os casos que procuraram atendimento médico. Não recebemos nenhuma denúncia de falta de leitos hospitalares ou exames laboratoriais e o número de casos notificados está em diminuição, concluiu.