Bonitos, inteligentes e versáteis. Adjetivos que fazem parte das conversas dos criadores de cavalos da raça Quarto de Milha, no que diz respeito a seus animais. Eles realmente são o xodó de seus proprietários. Alguns chegam a deixar de lado os negócios para se dedicar à criação e ao desenvolvimento de animais campeões. O investimento é alto e o retorno nem sempre está à altura. Mas, o amor pelo cavalo compensa quaisquer gastos - palavra de criador.
Os leilões comprovam o sucesso. Nos eventos, os cavalos chegam a valer fortunas e são arrematados como troféu pelos criadores. Os valores extrapolam, algumas vezes, a casa dos R$ 100 mil. Mas, o que transforma um Quarto de Milha numa mina de dinheiro? O fato mais evidente neste caso é a potencialidade do animal para arrebatar campeonatos, seja de conformação ou de trabalho.
Os criadores dedicam tempo e, principalmente, dinheiro para transformar um potro bem nascido em um campeão (ou campeã) das pistas.
O casal Carlos e Regina Gonçalves, de São José do Rio Preto, é um exemplo. Eles possuem dois haras, onde cultivam a paixão e a dedicação pelos cavalos. O retorno financeiro é o que menos importa na criação de cavalos. O que a gente gosta mesmo é competir e de mostrar nossos animais, disse Regina Gonçalves.
Ela conta que a família possui diversos negócios na área agrícola, mas eles sempre ficam em segundo plano quando o assunto é o Quarto de Milha. A gente acaba se preocupando mais com os haras, pois é um amor muito grande por esses cavalos, disse.
O Haras Nunes Gonçalves, de propriedade de Regina e Carlos, tem entre seus principais destaques os cavalos Eye Doc, Master Zampar HNG e Safira Solano. Os três estão competindo no XI Congresso Brasileiro do Cavalo Quarto de Milha, que está sendo realizado no Recinto Mello Moraes, neste final de semana.
Genética
O estudante de Zootecnia Sérgio Busto Infante, trocou a agitação da cidade de São Paulo para viver próximo aos cavalos, na fazenda da família, em Avaré. Ele possui 60 éguas parindo e costuma viajar a todos os eventos levando seus cavalos para competir. O destaque do haras é Go Sugar KRB, um garanhão de dez anos de idade, que foi adquirido há cinco anos pelo estudante. Esse cavalo vai competir aqui no Congresso e no Campeonato Nacional. Depois disso, ele sai das pistas e vai ser utilizado só como reprodutor, avisou.
Tanto Infante, quanto o casal Gonçalves, ressaltam que a formação de um campeão começa na genética. É preciso ter um bom pai e uma boa mãe para obter um cavalo top de linha, salientou Infante.
Regina conta que formar um campeão é um prazer. O cavalo Master Zampar é um exemplo disso. Eu decidi que queria um cavalo bom para competição. Nós escolhemos o pai e a mãe a dedo e investimos no potro. Com quatro anos ele ganhou em Jaguariúna. Dois anos depois, repetiu o feito. Ou seja, só tem nos dado satisfação, disse Regina.
No entanto, para chegar a este ponto, o cavalo tem que ter um tratamento diferente dos outros animais. Primeiro, o criador tem que ter um olhar clínico para saber em qual animal vale a pena investir, qual tem condições de se transformar num campeão. A genética é a base de tudo, disse Carlos. Quem tem um animal formado a partir de pais campeões já sai na frente, completou Infante.
Nos primeiros quatro meses, os cuidados são voltados também à égua. Como ela está amamentando, recebe o que há de melhor em termos de alimentação e cuidados. Após essa fase, começa o período de treinamento. Para ter um cavalo bom, é preciso se cercar dos melhores profissionais, disse Carlos.
Em seu haras, dois veterinários cuidam dos campeões. Um tem a incumbência de tratar da parte locomotora do animal, corrigindo pequenos problemas e auxiliando no desenvolvimento dos membros do animal.
Infante destaca, ainda, que um bom casqueador é fundamental. Tem que escolher muito bem as pessoas que vão tomar conta do animal, disse.
Os gastos são muito grandes. Só com treinamento, os criadores costumam desembolsar R$ 6 mil por ano. Mas, não pára aí. A alimentação é outro item que custa caro. Só alimentamos os animais com as melhores rações do mercado, disse Carlos.
Infante ressaltou que são gastos quatro quilos de ração por dia com seu garanhão. São três alimentações diárias, mais uma complementação com feno.
Há gastos ainda com vermifugação, aquisição de bezerros para treinamento (laço em dupla e laço de bezerro), além das tralhas que são usadas no cavalo, ou seja, os equipamentos para montaria, como sela, barbelas, gamarra, caneleira, freios e bridão. Uma sela razoável está custando cerca de R$ 1,2 mil, destacou Carlos Gonçalves. Só para a manutenção do animal, sem contar o treinamento, os criadores estimam gastos de R$ 8 mil por ano e por cavalo.
As despesas são compensadas com boas doses de emoção. Enquanto dava entrevista ao JC, Carlos e Regina Gonçalves comemoravam a vitória do seu cavalo Eye Doc, que foi o primeiro colocado na prova de Laço de Bezerro.