Os lojistas afirmam que alta dos juros poderia afetar as vendas do Dia das Mães, considerado o segundo Natal
A elevação da taxa básica de juros para o mercado nacional, de 15,75% para 16,25%, não deve gerar reflexos no comércio local, por enquanto. A afirmação é do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Sérgio Evandro do Amaral Motta, para quem isso poderia atrapalhar as vendas do Dia das Mães. A data é considerada a segunda melhor em termos de faturamento para o comércio, perdendo apenas para o Natal.
Na avaliação de Motta, um dos principais fatores que evitariam o repasse dessa alta aos preços aplicados para o consumidor seria o estoque das lojas. As empresas do comércio costumam trabalhar com um bom nível de estoque de mercadorias. Além disso, os comerciantes fazem pedidos constantes, aos fornecedores, dos artigos mais vendidos e, por enquanto, não temos notícias de que os preços para as empresas tenham sido alterados. Creio que antes de 30 dias não deve haver reflexos da alta dos juros aos consumidores, avalia o presidente da CDL.
De acordo com Motta, quando o aumento é pequeno, a tendência é de que as próprias empresas o absorvam para não elevar o preço dos produtos para a venda e não correr o risco de perder clientes, já que a concorrência no comércio está cada vez mais acirrada. Quem aumentar, não vende. Então, quando a alta dos juros é pequena, como essa, a tendência é das empresas absorverem o aumento para não correr o risco de perder para a concorrência. Então, para o Dia das Mães, ainda não haverá alterações, afirma.
O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), professor e economista Reinaldo César Cafeo, concorda com a análise do presidente da CDL quanto à questão do estoque das empresas do comércio. Esse fator realmente atrasaria o repasse da alta dos juros ao consumidor. Para ele, existem dois momentos dessa situação que seriam determinantes para a análise atual, envolvendo fornecedores de produtos e a concorrência entre comerciantes.
Existem dois grandes momentos nessa situação. Um deles é a relação entre empresas. Tomemos um exemplo fictício de uma loja que já trabalha com meia dúzia de fornecedores que são importantes para ela. Eles são parceiros antigos, mas, normalmente, esses fornecedores são de grande porte e não deixam alternativas para o comerciante. É a famosa situação do ou você compra de mim ou não compra de ninguém. Portanto, se eles já detectam aumento nos seus custos, a primeira tentativa é de repassá-lo ao revendedor. Mas, do comerciante para o consumidor final, existe outro formato, que é o da concorrência, analisa Cafeo.
De acordo com ele, seguindo essa linha o que ocorre é que, quando a situação está entre empresas, a de menor porte tem pouco poder de barganha. Portanto, seria obrigada a aceitar os aumentos de custos. Segundo o economista, o posicionamento das empresas do comércio diante da situação atual determinará o sucesso ou fracasso do Dia das Mães deste ano.
Quando a relação passa para a esfera entre empresa e consumidor, a história muda, porque a concorrência irá definir a situação. Ou seja, o consumidor tem um papel soberano nessa questão. É ele que vai determinar o preço que irá pagar por um produto e em quais condições. Se, efetivamente, o comércio tentar repassar esses aumentos de custos para os preços ao consumidor, muito provavelmente o Dia das Mães deste ano será ruim. Se a opção do comércio for apostar na criatividade, na redução das margens de lucro e na concorrência, com os preços sendo mantidos em patamares aceitáveis, o comércio poderá ter um Dia das Mães melhor. Eu acredito na escolha por essa opção, observa Cafeo. Para os consumidores, o economista continua desaconselhando o crediário.