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Bauru não se reforça para sediar Jogos

Rodrigo Figueiredo
| Tempo de leitura: 5 min

Faltando três meses para início dos Jogos, que acontecem em Bauru, situação atual das modalidades esportivas da cidade preocupa

Bauru sedia de 18 a 29 de julho os 45.º Jogos Regionais. A competição, que acontece pela 1.ª vez na cidade, deverá atrair para o Município cerca de 70 cidades e 5 mil atletas, além de movimentar por volta de R$1,5 milhão no comércio local

Apesar dos números animadores, os clubes e modalidades esportivas que representarão Bauru nos Jogos ainda lutam com suas próprias forças e vivem momentos de incertezas, às vésperas da mais importante competição que a cidade participará nos seus últimos 30 anos. Em 1970, Bauru sediou os Jogos Abertos do Interior, quando ficou com o vice-campeonato, entre 69 cidades.

Estruturalmente, Bauru tem pouco a providenciar, já que possui número suficiente de estádios e ginásios, que necessitam apenas de algumas reformas para abrigar os Jogos, mas a grande preocupação no meio esportivo bauruense é com a preparação das equipes competitivas da cidade, pelas quais a Prefeitura, até agora, tem feito muito pouco, deixando os clubes de mãos atadas para fazer contratações e até mesmo uma preparação diferenciada para os Jogos. A maioria das modalidades procuradas pela reportagem do Jornal da Cidade reclamou da falta de uma verba municipal, prometida, mas ainda não recebida, porém preferem ficar no anonimato a ter que falar abertamente sobre o assunto.

De acordo com o prefeito Nilson Costa, a Prefeitura ainda está estudando um meio de repassar aos clubes e modalidades a primeira parcela da verba anual que ela já dá há dois anos. "Estamos estudando um meio legal de passar estas verbas aos clubes", explicou o prefeito, sem demonstrar preocupação com as dificuldades que algumas modalidades tem enfrentado para se preparar para os Jogos.

Até o ano passado, os clubes recebiam, através de um contrato que já vigorava há 20 anos, nove parcelas de R$45 mil, divididas entre todas as modalidades. Este contrato, porém, foi considerado irregular pelo Tribunal de Contas da União, com regional em Araras. Segundo o TCU, o contrato anterior foi considerado suspeito e portanto proibido. A resolução foi dada em janeiro pelo TCU e desde então a Prefeitura não conseguiu encontrar um meio legal de repassar as verbas aos clubes. "Estamos estudando", reforça o prefeito.

O secretário de esportes, José Roberto Franco, o Sapé, garante que a Semel - Secretaria Municipal de Esportes e Lazer - está empenhada em conseguir liberar logo este dinheiro aos clubes. "A Prefeitura está estudando um meio, o mais provável é que a verba seja distribuída através do FAMA (Fundo de Apoio às Modalidades Amadoras), criado através de decreto de lei e aprovado pela Câmara Municipal".

Enquanto o dinheiro prometido não vem (já não se devia ter pensado nisto antes?), algumas modalidades tentam ao seu modo fazer a melhor preparação possível, mas sem a certeza de uma verba em mãos, grandes atletas deixam a cidade em busca de melhores perspectivas. No atletismo, por exemplo, que treina de forma precária, apesar de seus destaques individuais, faltam colchões para os treinos de salto com vara e salto em altura, além de dardos e pesos. A Associação Bauruense de Atletismo (ABA), responsável pela equipe desta modalidade, perdeu este ano cinco atletas que estiveram nos Regionais do ano passado em Jaú, entre eles o medalhista de ouro nos 100m rasos dos Jogos Abertos de Santos, João Gualberto de Paula. Sem dinheiro para investir nos seus atletas, o clube que oferecer dinheiro para um atleta tira-o facilmente de Bauru. Não temos como segurar ninguém aqui. Muitas vezes, a única coisa que nossos atletas querem é um emprego e nem isso eles conseguem na cidade, explica o Cabo Alcides, presidente da ABA.

Embora a Semel (Secretaria Municipal de Esportes e Lazer) afirme que Bauru vai competir em todas as modalidades - inclusive as pára-olímpicas - grande parte das equipes sequer está formada. O vôlei feminino, por exemplo, conta com apenas seis jogadoras adultas treinando para a competição. Estamos com seis garotas que fazem faculdade em Bauru treinando no clube. O restante da equipe deverá ser completado com jogadoras juvenis, conta Liberatto Palma, supervisor da equipe feminina do Bauru Atlético Clube (BAC). No ano passado, o BAC disputou os Regionais com a mesma equipe que jogou o Campeonato Paulista e garantiu o tetracampeonato da categoria. Estamos esperando o retorno de algumas jogadoras, mas ainda não é certeza que elas vêm para Bauru. Por enquanto, contamos apenas com a Mariara, Marise, Carol, Bianca, Tati e Mônica, enumera Liberatto. O vôlei masculino, também do BAC, passa pelas mesmas incertezas.

Apesar de nenhum dirigente reclamar abertamente sobre o não-recebimento de dinheiro por parte da Prefeitura, os clubes evitam fazer investimentos especificamente para os Jogos e lutam com forças próprias para fazer o melhor possível pela cidade. O judô, que no ano passado foi campeão no feminino e vice no masculino, conta com uma equipe forte e espera melhorar ainda mais neste ano. A principal incerteza, no momento, é sobre a participação do judoca olímpico Mário Sabino, que no ano passado já defendeu Santos nos Jogos Regionais e Abertos. O atleta, um dos melhores do País na categoria meio-pesado, ainda não foi procurado pelo comitê bauruense para integrar a equipe da cidade e pode integrar a equipe de qualquer outro Município disposto a pagar o seu preço. Bauru, por enquanto, não fez a sua proposta formal, mas especula-se que Sabino custaria cerca de R$3,5 mil (pagos à Federação Paulista) mais salários em torno de R$700,00.

A aparente despreocupação do Poder Público com a qualidade das equipes de Bauru tem uma justificativa: o possível "baixo nível técnico" das cidades que competirão este ano na cidade. "Acredito que este ano as cidades concorrentes não virão muito fortes, com isso temos grandes chances de conquistar o título", especula o prefeito. Questionado caso alguma cidade resolva fazer contratações - como tradicionalmente fazem São Carlos, Jaú, Piracicaba e Santa Bárbara D'Oeste - e vir com uma equipe forte o prefeito foi enfático: "Se uma cidade vier com contratações, tudo bem, pois nossa maior intenção é formar atletas", garante. A filosofia é ótima, falta apenas colocar o discurso em prática.

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