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EM MEMÓRIA DE BERTUSSE

Antonio Pedroso Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

Lendo o JC, do ultimo dia 11 de abril, pág. 2, deparei-me com um artigo de B. Requena, sobre a crise de energia, onde ele lembra de uma matéria que realizou com um senhor, que inventou um motor movido a caroços de mamona. Se não me falha a memória, essa pessoa chegou a realizar um teste com um veículo antigo, cuja foto ilustrou a referida matéria. Caro jornalista, o nome daquele sr. é Francisco Bertusse, que além do referido motor, teve outras invenções, principalmente relacionadas com o ramo da panificação.

Entretanto, quero aproveitar a lembrança do jornalista, recordando a invenção de Francisco, que por coincidência é meu tio, já falecido, para relembrar a truculência com que os detentores do poder tratam aqueles que ousam discordar de seus objetivos. Chico, de tanto pedir uma oportunidade e recursos para desenvolver seu projeto alternativo de energia, sem jamais obter qualquer tipo de resposta, exasperou e mandou imprimir uma carta aberta às autoridades constituídas, onde questionava o patriotismo dos detentores do poder. Colocava e solicitava para os amigos as colocarem nas caixas de correio, sem a devida postagem. Além de inventor era uma pessoa espirituosa e fazia questão de que os destinatários pagassem para ler seu manifesto.

Assim, não pensaram os governantes de então e para silenciar seu protesto, encontraram uma saída simples, nos regimes de força. Decretaram sua prisão. Inventaram que o Chico inventor era comunista e que sua insistência em provar que seu motor funcionava e era uma alternativa viável de economia de combustível infringia a Lei de Segurança Nacional. Por ironia do destino, foi fazer companhia na prisão ao escritor Monteiro Lobato, preso igualmente por comunista, por insistir em declarar que no Brasil existia petróleo. Entretanto, a vida é assim mesmo, caro jornalista. Nos regimes democráticos aqueles que tentam inovar são rotulados como doidos. Nos regimes ditatoriais são considerados como comunistas ou subversivos.

Hoje em dia, nos regimes democráticos, vemos assessores de autoridades darem impiedosas pancadas naqueles que ousam discordar. Jornalistas e vereadores que ousam discordar ou criticar são achincalhados publicamente (ainda bem que isso não acontece em nossa Bauru!). (Antonio Pedroso Jr. - e-mail: ChineloNeles@aol.com)

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