Senhor editor de A Tribuna do Leitor. Ganha corpo, dia-a-dia, o debate em torno da participação do Brasil na Alca. A previsão é de que em 2005, os 34 países da América (exceto Cuba) estejam envolvidos nesta grande associação de livre comércio, cujo objetivo principal é eliminar barreiras alfandegárias para o livre trânsito de bens e produtos, com isto, tornando mais ágil o comércio, mas, principalmente desonerando exportadores e importadores.
Aqui no Brasil, estranhamente, ainda se discute o ingresso do Brasil, ousando alguns a comparar a Alca com o Mercosul. Como todos sabem, o Mercosul se revelou uma pífia associação estimulada pelos governos do Brasil e da Argentina visando uma hegemonia paroquial, que aliás é a única que poderiam almejar no estado paupérrimo em que se encontram. Os outros integrantes do Mercosul, Uruguai e Paraguai, praticamente não contam por sua modestíssima economia e inexistência de interesses afins com o Brasil, principalmente. Ou seja, o Mercosul é a associação dos rotos com os esfarrapados.
A Alca, evidentemente terá a liderança dos Estados Unidos da América do Norte. Basta ser vivo e modestamente inteligente para constatar que esta liderança não é apenas regional e sim mundial. Não se dá um suspiro no mundo sem que esteja presente a american hand. Afastado qualquer juízo de valor a respeito, é uma realidade incontestável de que os governos inteligentes, sérios e preocupados com o bem estar do seu povo deveriam tentar tirar o máximo de proveito. Inclusive, estudando com afinco, as razões desta brilhante supremacia e correndo atrás deste enorme fosso, que separa a América Latina (ou latrina ?) do nosso Grande Irmão do Norte.
Chorar o choro de carpideiras profissionais pouco vai valer. Acreditar que Argentina, Uruguai e Paraguai, bastarão ao comércio internacional do Brasil é pura ilusão, ou mesmo, desatinada burrice. O que o Brasil necessita é profligar seriamente no sentido de fortalecer sua pré-inclusão na Alca, declarando desde já que quer dela participar, com isto, e desta forma sim, assumindo uma posição vanguardista no continente (o que aliás o pequenino Chile, de Pinochet, já está ousando fazer). E deixe que Argentina, Paraguai e Uruguai corram atrás de seus prejuízos.
Há muitos anos que se vê, ouve e lê o mundo prevendo a queda da economia americana. Olimpicamente, os americanos do norte continuam trabalhando, dando as cartas e jogando de mão, em resumo, vencendo. Sucedem-se os governos democráticos e republicanos e o máximo que o inimigo consegue é arranhar o poderio americano com o vestido manchado de uma estagiária gordinha. Convenhamos, é muito pouco e é ridículo...
Não há esperança para o Brasil, se não resolvidos os seus graves problemas econômicos e sociais! E, virar as costas à Alca significará continuar nesta síndrome de cachorro magro, que aceita apenas as migalhas que escorregam da mesa dos poderosos. Altiva e soberanamente, mas também inteligentemente, o Brasil precisa urgentemente sentar-se à mesa e entrar neste jogo. Atenciosamente. (Marco Antônio de Souza - OAB/SP 55.799 - e-mail: longines@uol.com.br)