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Igreja Católica não enfatiza São Jorge

Redação
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A homenagem ao santo, no dia 23 de abril, não é enfatizada pela Igreja por falta de documentos que comprovem a lenda

Apesar de muitos fiéis da Igreja Católica acreditarem que São Jorge - cuja imagem é a de um guerreiro montado a cavalo - não recebe muitas homenagens por ser uma entidade importante no candomblé e na umbanda, o Dia de São Jorge não têm grande relevância entre os católicos devido à falta de documentos históricos sobre sua vida, de acordo com o padre Boaventura Barron, da paróquia Maria Mãe do Redentor. O santo, que é lembrado nos dias 23 de abril, representa o Ogum para os seguidores do candomblé e da umbanda, que festejam a data com adornos e oferendas.

De acordo com o padre Boaventura, São Jorge é um dos santos sobre os quais a Igreja Católica tem menos informações históricas. O importante, no que refere-se a São Jorge, é a transmissão da lenda. São mais intuições do povo que dados históricos, afirma.

A lenda conta que Jorge foi martirizado no início do século IV, por ordem de um imperador romano. Ele era um soldado jovem e bonito que foi chicoteado e enterrado vivo em um poço.

No entanto, sua grande façanha teria sido matar um dragão que vivia em um lago e costumava aterrorizar os habitantes de uma cidade, acalmando-se apenas quando satisfazia-se com pessoas e animais, devorando-os. Jorge teria matado o dragão quando ele estava prestes a devorar uma donzela, filha de um rei e que havia sido sorteada para servir de alimento ao monstro. O herói teria aparecido montado em um cavalo branco, armado com uma espada, e teria lançado sua espada contra o dragão, matando-o e libertando a donzela.

Em virtude da lenda, a imagem de São Jorge, atualmente, é a de um cavaleiro. Segundo as explicações do padre Boaventura, ele foi considerado, na época das Cruzadas, padroeiro dos cruzados, que lutavam para libertar países cristãos do poder dos muçulmanos. Por isso, ele é um santo que tem mais popularidade em locais como Cataluña, Portugal, Inglaterra e Lituânia, entre outros, e não tanto no Brasil, expõe.

Na comemoração católica ao Dia de São Jorge, os fiéis recebem uma rosa de proteção do santo, durante a celebração da missa. O Dia de São Jorge é lembrado mais por respeito à tradição, mas nós não damos muita ênfase. Sobre outros santos, há escritos, documentos. Já a figura de São Jorge está mais adornada pela lenda, afirmou.

Candomblé e umbanda

A umbanda e o candomblé costumam realizar ritos de comemoração a São Jorge - o Ogum - com trabalhos para o santo, louvores, comidas e velas específicas e sacrifícios, de acordo com o Pai Jô do Ogum, do Centro de Umbanda e Candomblé Caboclo Arranca Toco.

No entanto, a principal diferença na abordagem das duas religiões refere-se ao tratamento da imagem do santo - na umbanda, a imagem está presente nos rituais, enquanto no candomblé não há o culto a ela, que é substituída por objetos que fazem referência ao santo. Na umbanda, São Jorge - o nosso Ogum - é o guerreiro, o homem da força, do ferro, o capitão que veste-se com espadas e lanças. O candomblé preserva mais a idéia vinda da África, em que o Ogum é o agricultor, que utiliza a enxada, a foice, o facão, a pedra, disse.

Nos rituais do candomblé, a ênfase é dada aos toques de instrumentos de percussão, oferendas e flores, já que a imagem não é cultuada. O arquétipo de São Jorge é o das pessoas briguentas, violentas, impulsivas e que não se desencorajam facilmente, acrescentou Pai Jô.

São Jorge é Ogum no candomblé e umbanda

O Ogum, entidade que, no candomblé e na umbanda é representada por São Jorge, recebe, na Bahia, nomes próximos aos quais é designado na África. Entre eles, estão: Onirê, Ogum Akarô, Ogum Alagbedê, Ogunjá, Ogum Mejê, Ogum Omini e Ogum Warí.

Nos rituais de louvor a Ogum, as pessoas designadas a consagrar a entidade vestem colares com contas de vidro azul-escuro, normalmente às terças-feiras.

O Ogum se manifesta no corpo dos seguidores do candomblé e da umbanda com uma dança de ares marciais, agitando uma espada e procurando um adversário.

Seu nome é mencionado durante sacrifícios dedicados a outras entidades, no momento em que a cabeça do animal é decepada com uma faca - da qual ele é senhor.

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