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Projetos ajudam a educar crianças

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Vários projetos sociais são desenvolvidos com o objetivo de tirar as crianças da rua e dar-lhes uma ocupação

Jaú - O primeiro Posto Comunitário da Polícia Militar de Jaú foi fundado em 1995, no Jardim Pedro Ometo. Hoje, vários projetos sociais são elaborados e desenvolvidos pela comunidade em parceria com o soldado Adilson Roda, 31 anos, responsável pela unidade policial do bairro, e têm como meta investir na educação das crianças. Entre os programas sociais em andamento, Roda cita o Jovens Contra o Crime e o Bom de Bola Bom de Escola.

O primeiro conta, atualmente, com a participação de 185 jovens e tem realizado diferentes campanhas com a finalidade de arrecadar alimentos e agasalhos para serem distribuídos posteriormente às famílias carentes do bairro.

Roda conta que as atividades começaram há dois meses dentro das escolas, para depois ganhar as ruas e tornarem-se mais amplas e organizadas.

Para ilustrar a participação desses jovens, ele cita um caso recente em que uma família de sete filhos que recebeu o auxílio da comunidade após a morte da mãe e a dispensa do pai do antigo emprego. Diante da situação, o pai foi acusado de praticar pequenos roubos e, mais tarde, soube-se que os filhos estavam passando fome e sem energia elétrica em casa.

Hoje, pelo menos uma cesta básica é destinada à família todos os meses. Os alimentos da cesta, segundo o soldado, são frutos dos esforços empreendidos pelos jovens que participam do programa.

Além da arrecadação e distribuição de alimentos e agasalhos, a comunidade também se mobilizou para arrecadar fundos, junto aos empresários, para a aquisição de três cadeiras de rodas. Segundo Roda, a última foi entregue na semana que passou. O próximo passo, informou ele, será a apresentação de um abaixo-assinado à Delegacia de Ensino de Jaú pedindo a cobertura da quadra do Ginásio de Esportes da escola Dr. Benedito Montenegro.

Já o programa Bom de Bola Bom de Escola explora a paixão dos jovens pelo futebol para obter um melhor rendimento escolar dos participantes. O manual do programa informa que sua finalidade principal é contribuir na educação das crianças para a vida, na formação profissional e no exercício da cidadania. Do programa participam quase 200 crianças entre 6 e 16 anos.

Roda acredita que ao envolver as crianças do bairro em atividades esportivas e sociais está se investindo na segurança de toda a comunidade. Com isso, nós conseguimos tirar as crianças das ruas e damos a elas condições para uma vida mais saudável, disse.

Vila Netinho

O Posto Comunitário da Vila Netinho, que completa um ano em junho, também está desenvolvendo programas educativos com as crianças do bairro, a exemplo do que acontece no Jardim Pedro Ometo. Com o auxílio da PM, alunos e funcionários das escolas do bairro passaram a integrar o Projeto Travessia, que tem como objetivo central trabalhar na questão da segurança na porta das escolas.

De acordo com o soldado João Geraldo Romero, 33 anos, responsável pelo posto da Vila Netinho, os funcionários são treinados por ele para realizar a travessia dos alunos da maneira correta, sem precisar que a presença do policial se faça obrigatória .

A instalação do posto comunitário representou, logo de início, um alívio aos moradores. Eles contam que antes do prédio ser ocupado pela Polícia Militar, a praça que fica ao lado era mal iluminada e constantemente freqüentada por consumidores de drogas. Aliás, acabar com os possíveis pontos de consumo de drogas foi uma das primeiras atitudes tomadas pela polícia comunitária. Com o auxílio de alguns moradores e de integrantes da associação de bairros, foi possível limpar um terreno baldio onde, supõe-se, jovens se reuniam para usar drogas.

Todos os meses é realizada reunião entre a associação, a PM e representantes do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) para discutir os problemas do bairro, definir as próximas ações e trocar informações.

Se a sociedade não se organizar para combater a violência, os delinqüentes vão tomar conta de tudo, opina o vice-presidente do Conseg, Osvaldo da Silva, 53 anos.

O custo para se conseguir o auxílio da PM na hora de resolver os problemas do bairro não é alto, se comparado aos benefícios obtidos, segundo o presidente da associação, João Luiz Andriotti, 60 anos. Alguns móveis dos postos comunitários foram doados por moradores e a conta telefônica é paga pela associação, assim como os reparos mecânicos necessários para deixar a viatura policial em condições de uso. O dinheiro vem de eventos promovidos pela associação, como, por exemplo, um jantar dançante. É comum, também, contribuições voluntárias de comerciantes locais.

Não só eu estou satisfeito com a presença da polícia aqui, como todos os moradores. Nosso sentimento de segurança aumentou bastante, declarou Andriotti.

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