A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é como uma jurisprudência. Casos clínicos são avaliados para se concluir a melhor opção de tratamento em um paciente. Pesquisas, estudos, análises são realizadas para se chegar a uma evidência. O ideal é a busca do equilíbrio entre as evidências, as teorias fisiopatológicas, a experiência pessoal de cada médico e o bom senso e bom relacionamento entre médico e paciente. O médico Álvaro Nagib Atallah, especialista em MBE, disse que os médicos ficam defendidos juridicamente porque buscaram a melhor opção científica com o apoio do próprio paciente e isso do ponto de vista ético e jurídico é imbatível, segundo ele.
Perguntas não faltam na prática médica: até que ponto uma nova terapêutica pode trazer realmente um benefício maior; até que ponto procedimentos consagrados podem ser derrubados por se mostrarem inócuos ou mesmo maléficos; ou até que ponto os testes de diagnóstico precisam ser avaliados quanto à sua real utilidade. O empenho em chegar às respostas tem apontado vários caminhos, muitos deles reunidos na chamada Medicina Baseada em Evidências (MBE).
A MBE, de acordo com o médico Álvaro Nagib Atallah, é a mesma que a tradicional, mas baseada na melhor informação científica existente e que leva em consideração a experiência do médico para aplicá-la dentro de um contesto da realidade do local e do paciente específicos e que o paciente toma partido do processo de decisão que envolve a vida dele. Essas três coisas em conjunto, formam a atividade da MBE, disse.
Ele explicou que, na MBE, o médico tem o compromisso de procurar a melhor evidência científica existente para saber o certo e o errado. Depois disso, de acordo com o médico, o paciente toma parte no processo decisório e também se responsabiliza pela decisão. A medicina não é uma ciência exata como a matemática e sim uma ciência de probabilidades e o que a MBE quer, é saber aquilo que pode dar certo. Então, toma-se a decisão que cientificamente tem a maior probabilidade de dar certo. Isso, de certa forma, acaba um pouco com o achismo, a arrogância e o autoritarismo no processo de decisão, explicou.
Para se chegar a algumas evidências, foram feitos ensaios clínicos controlados, nos quais foram escolhidos pacientes por acaso que foram divididos em dois grupos no tratado e no controle. Depois disso, de acordo com ele, se contabiliza o número de mortes no tratado e no controle e se vê onde teve mais benefícios. Aquele tratamento onde se vê mais benefícios, mais resultados positivos e maior segurança é a melhor opção, disse. Para chegar a isso, ele explicou que existe uma tecnologia de busca e síntese dessa informação que se chama metanálise.
Atallah explicou que há muitas coisas, na prática, que fazem mal para o paciente e continuam no mercado. Ele disse que há coisas que não fazem efeito e são pagas, utilizadas. Posso exemplificar as coisas que fazem mal ao paciente.Por exemplo, a cesária, faz mais mal do que bem e continua sendo usada em proporção absurda no Brasil, disse.
A MBE vem desencadeando outros movimentos promissores. Um deles é o resgate da ética e a humanização da relação médico/paciente. Buscar o que realmente funciona e não aceitar o que é discutível são alguns dos aspectos que podem e devem, inclusive, ser informados ao paciente. Não basta ao paciente apenas aderir à fronteiras de tratamento definidas. O ideal é valorizar a opinião do paciente e trabalhar em um plano terapêutico decidido em comum acordo.