Onze anos. Esse seria o tempo que a administração de Bauru, tendo em vista as previsões orçamentárias pouco animadoras, demoraria para recuperar integralmente o asfalto da zona urbana. Há muito tempo sem manutenção e programas de recuperação, o pavimento está vencido em 95% da cidade, ou seja, são 7,5 milhões de metros quadrados necessitando de urgente recapeamento. Em dinheiro, isso significaria algo em torno de R$ 82 milhões, mais de 70% do orçamento anual deste ano.
Os parcos recursos existentes para investimentos estão, prioritariamente, sendo aplicados na implantação de galerias pluviais, destinação que deve continuar no ano que vem. Para 2002, porém, o secretário municipal de Obras, Edmilson Queiroz Dias, anuncia a abertura de licitação para contratar a primeira etapa do plano de recuperação do asfalto. Essa fase deverá priorizar corredores de tráfego intenso de veículos e ônibus coletivos. Para o primeiro momento, eu citaria a avenida Rodrigues Alves, a avenida Duque de Caxias, a rua Alto Acre, Alto Purus, os corredores das vilas Falcão, Cardia e Independência e a Nações Unidas. Esses pontos precisam de recapeamento urgente, além do quadrilátero da área central, listou.
Paralelamente, a Prefeitura poderá recuperar alguns trechos para não perder o que já existe, como é o caso daquele da avenida Nações Unidas situado entre o viaduto da Rondon e o Ceagesp. Na opinião do titular de Obras, recuperar antes que a deterioração completa ocorra é uma questão de economia de tempo e dinheiro. É para evitar problemas como os que estamos enfrentando com as galerias pluviais. Além da demanda reprimida e dos poucos recursos, estamos sendo obrigados a recuperar pontos onde já existiam galerias ao invés de investirmos na extensão da rede. Temos que tirar as que estão estragadas e realizar a substituição, o que demanda mais tempo e dinheiro, comparou Dias.
As galerias, aliás, serão imprescindíveis no projeto de recuperação do asfalto, já que a Secretaria de Obras não pretende autorizar a pavimentação em trechos que não possuem a rede de escoamento de águas pluviais. Tão logo recebam a benfeitoria, os pontos estarão automaticamente autorizados a receber o asfalto. Isso, no entanto, só vai ocorrer numa segunda ou terceira etapas do projeto que deverá começar no ano que vem. É preciso enfatizar que um projeto como esse não é tarefa para um governo só, mas para os próximos dois. Quando a recuperação estiver sendo concluída, por sinal, já será hora de se começar a iniciar a fase de manutenção. O asfalto vence a cada 8 ou 10 anos, dependendo das condições climáticas e, em Bauru, elas não colaboram muito. Posso dizer que temos apenas 5% de asfalto com menos de 10 anos hoje na cidade, ou seja, praticamente tudo está velho. Uma vez vencido, o asfalto torna-se cada vez mais vulnerável e suscetível à abertura de fissuras, buracos e deformações, explicou.
Depois dos corredores principais de tráfego, será a vez das vias secundárias serem recuperadas. No caso, são as ruas perpendiculares que cortam as avenidas-eixo como Rodrigues Alves e Duque de Caxias. Só depois disso é que começaria a pavimentação na periferia - esse, obviamente, é o plano da administração Nilson Costa, que poderá ou não ter seqüência nas gestões sucessoras.
A expectativa do governo atual é chegar ao final de 2004 com 1,2 milhão de metros quadrados recapeados e pavimentados. Temos que ter parâmetros, mas não imaginar absurdos. Dentro de uma administração que cuida bem dos seus recursos, ainda que sejam escassos, temos a ousadia responsável de chegar a esse número. É um desafio que vamos perseguir. Tudo o que passar disso, será lucro, delimitou. Asfalto não é luxo e sim uma melhoria de caráter social. Onde ele existe, o custo de manutenção da cidade é bem menor, assim como a qualidade de vida e a saúde da população. Como se diz, é sinal de progresso, acrescentou.