Os detentos serraram um pirulito da porta da cela e estavam cavando em volta do vaso sanitário para fugir pelo esgoto
Agentes da Cadeia Pública de Bauru descobriram, ontem pela manhã, um túnel que estava sendo cavado pelos detentos. Os 14 presos da cela sete (que tem capacidade para seis homens) tiveram que ser redistribuídos entre as outras celas, até que seja promovida a reforma do local.
De acordo com o delegado responsável pelo expediente do Cadeião, Roberto Cabral Medeiros, os detentos serraram uma barra de ferro da porta principal da cela, chamada pirulito, e usavam a barra para cavar em volta do vaso sanitário. Aparentemente, a intenção era retirar o vaso e escapar pela rede de esgoto.
Eles não chegaram a tirar o vaso, mas estavam por pouco. O que precisaria ver é se a terra e o concreto embaixo estariam minados, ou não, pela água e outros produtos (corrosivos) que eles jogam ali, comentou Medeiros.
Numa revista preliminar à cela, foram encontrados um pedaço de serra para ferro e uma lâmina, aparentemente retirada de um aparelho de barbear. Segundo o delegado, boa parte as ferramentas usadas nesse tipo de atuação são retiradas da própria estrutura da cela: Eles cavucam o piso, a parede, o teto, onde tem ferro. Também arrancam a grade de proteção da hélice de ventiladores - todos objetos usados para fazer buracos. Qualquer coisa serve.
Questionado sobre a possibilidade de restringir esses objetos, Medeiros explicou que a entrada de ventiladores, aparelhos de som e outros equipamentos é aceita para amenizar a situação dos detentos. Se você barrar tudo, vem a raiva e o motim. É muito complicado, ressaltou.
Os 14 homens que ocupavam a cela tiveram que ser redistribuídos para outras unidades do Cadeião, o que acaba agravando a superlotação. Mas é um problema que eles mesmo criaram. Agora, teremos que reformar a cela. Espero que até terça (amanhã) ela já esteja em condições de abrigar - não digo os mesmos presos que estavam aqui, mas a mesma capacidade.
A cela seria minuciosamente revistada, ontem à tarde, para a busca de outras ferramentas.
Vagas
De acordo com Medeiros, a Cadeia Pública de Bauru abriga, atualmente, 155 homens. Destes, cerca de 20% são detentos já julgados, que aguardam a transferência. Isso amenizaria o problema, mas ainda não resolveria, pois ainda teríamos que transferir cerca de 40 homens (para aliviar a superlotação), salientou.
Medeiros lembrou que o caos carcerário é geral, mas informou que está em contato com a Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado de São Paulo (Coesp) e com cadeias de cidades da região para conseguir vagas.