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Frateschi afirma que falta urbanidade ao PT de Bauru

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O Partido dos Trabalhadores (PT) realizou, ontem, na Câmara Municipal de Bauru, o primeiro encontro da macrorregião deste ano. O evento foi prestigiado por estrelas nacionais da legenda, como os deputados federais Arlindo Chinaglia e José Genoíno, o segundo candidatíssimo ao Governo do Estado na eleição do próximo ano (ver matéria sobre o assunto nesta página). Antes do discurso dos líderes petistas no plenário do Legislativo, o JC entrevistou o presidente estadual, Paulo Frateschi. Parecia o prenúncio do que viria na reunião. Frateschi criticou a falta de mobilidade e bom senso do PT na cidade e na região e sentenciou que falta urbanidade no partido em Bauru.

Pouco depois, durante a cobertura do encontro, já no plenário da Câmara, a avaliação de Paulo Frateschi pareceu ser demonstrada por uma das facções petistas. Roque Ferreira, Jesus Garcia e Duílio Duka criticaram os comandos local e regional do PT, com argumentos que vêm se tornando regra em relação à macrorregião nos últimos anos. Eles protestaram que o comando regional não poderia encerrar o encontro sem dar oportunidade para que a base fizesse o debate. O PT não tem dado oportunidade de discussão na macro desde a eleição de 2000. Com exceção de Botucatu, a região toda está na mão da direita. Ainda assim, não houve uma reunião sequer para discutir estratégia e ação. Vamos ver se vão usar o PT para se fortalecer ou para alguém se manter na Câmara, alfinetou Jesus Garcia, com a concordância de Roque e Duka.

Embora a reclamação dos petistas bauruenses fosse sobre ausência de discussão do PT com a base, o presidente estadual, Paulo Frateschi, criticava exatamente a propagação das críticas em relação à legenda, inclusive através da Imprensa, por parte de grupos internos na cidade. Veja que o PT é referência para sua principais lideranças nacionais em Bauru e região. Mas, isso não se reflete no partido na cidade e no comando regional. O PT não consegue mostrar aqui seu prestígio político porque falta unidade. Precisamos começar a tratar de uma forma diferente a luta interna no partido em Bauru. Não há como admitir que as diferenças apareçam sob a forma de falta de civilidade. Aqui, o partido não tem nenhum diálogo, disse.

Paulo Frateschi explicou que o PT realizou modificações no seu estatuto, visando as próximas eleições internas. Antes se elegia o diretório municipal e os delegados municipais. Daí se elegiam o comando estadual e os delegados estaduais. Então, o comando nacional era eleito pelo colégio de delegados municipais e estaduais, além do grupo nacional. Nós modificamos isso. Queremos que a base tenha maior participação, foi um avanço. Agora, a base é que elege, não os delegados, comentou. Com isso, a principal consequência é que a eleição pelo comando petista deixou de ser regional, local, passando a ser integrada, com as chapas tentando se mobilizar em conjunto com o Estado e o comando nacional.

A alteração provocou a reação de Roque Ferreira, em Bauru. Ele acha que a eleição integrada poderá distanciar ainda mais o comando nacional da base, dos anônimos que construíram e mantém o partido nos municípios. O sindicalista distribuiu um documento aos filiados na região contestando as modificações no estatuto. Ferreira pontuou, primeiro, que as mudanças foram fruto da decisão de meia dúzia de caciques de distintas colorações que se concentraram para completar esta reforma. Para ele, as alterações esvaziam a discussão dos encontros, o mandato e soberania dos delegados eleitos e aumentam a distância entre a massa dos filiados e os poucos que decidem pela vida partidária.

O encontro de ontem mostrou que, pelo menos em Bauru, continuará sendo muito difícil o PT realizar a unificação em torno da proposta da maioria dentro do partido. Mesmo porque, algumas facções não abrem mão de alguns pontos, como o rompimento com o FMI e a retomada de empresas públicas. O discurso estatizante não encontra respaldo em outros grupos. Os batismos das facções são variados, o objetivo de unificação distante. Dos conservadores aos ortodoxos, o PT parece manter as dificuldades para que a estrela brilhe em Bauru.

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