Geral

Os caminhos do Mercosul

(*) Mário Mugnaini
| Tempo de leitura: 2 min

Durante o ano de 2000, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai sentiram a necessidade de reavaliarem a Agenda da integração o que se batizou como Relançamento do Mercosul. Em essência, ações que contemplam a ordenação em um calendário realista da aplicação das decisões consensuadas nas diferentes áreas de abrangência do Acordo. O desenrolar da conjuntura econômica, por exemplo, indicou a necessidade da elaboração de estatísticas sobre inflação, nível de emprego, endividamento público, acordadas em base única e sobre estes temas os estudos evoluíram razoavelmente bem.

Por outro lado, a questão cambial em função das políticas distintas, da Argentina que atrela a paridade de sua moeda ao dólar americano por legislação federal e do Brasil, que adota a flutuação, não permite uma convergência simples, o que obriga a adoção de um sistema permanente de informações entre os Bancos Centrais dos quatro países do Mercosul. Os contenciosos comerciais entre Argentina e Brasil ocuparam grande atenção dos governos e setores privados envolvidos. Neste sentido, fica evidente a imperiosa necessidade da implementação e aceitação geral do Protocolo de Brasília sobre Soluções de Controvérsias, evitando-se dispendiosas disputas comerciais .

Apesar das dificuldades localizadas, o intercâmbio comercial do Mercosul seguiu o caminho da expansão moderada, em grande parte devido à retomada do crescimento da economia brasileira, que os nossos parceiros aproveitaram, como demonstram os constantes superávits comerciais conquistados por estes. O exercício do conceito do grande mercado único em substituição aos mercados nacionais é um aprendizado lento, que exige avaliações das sensibilidades setoriais, da proteção das micro economias, em um constante plano de ajustes. Mas isso tudo com um plano de evolução, única forma de nos posicionarmos diante das negociações extra bloco.

A agenda de integração estava voltada para a adesão chilena ao Mercosul e sobre este aspecto o bloco sofreu uma grande decepção, pela escolha do Chile em iniciar negociações para adentrar ao Nafta. Os desdobramentos atuais centrados sobre as famosas cláusulas sociais e de meio ambiente introduzidas pelos Estados Unidos indicam as dificuldades da negociação isolada.

A questão do tempo de implantação da Alca é outro aspecto da negociação que preocupa os países do Mercosul , pois enquadra-se nas prioridades do bloco a negociação de um Acordo de Livre Comércio nos próximos dois a três anos com a Comunidade Andina de Nações , que conferirá um maior peso ao conjunto sul-americano de países. A formação da Alca é entendida pelo Mercosul como uma oportunidade de integração econômica hemisférica, mas o bloco deve manter-se unido em primeiro lugar como tática de negociação, pois a estratégia maior é jamais abandonar a base do Mercosul, evitando-se a diluição.

(*) O autor, Mário Mugnaini, é vice presidente do Ciesp e diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior - Derex - da Fiesp-Ciesp.

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