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Novo curandeiro rejeita misticismo

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 4 min

Métodos não aceitos pela Ciência mostram resultado; terapeutas apostam na energia para garantir o bem-estar

Os profissionais envolvidos com terapias alternativas para a cura estão deixando o misticismo de lado. Mesmo ainda não sendo inteiramente aceitos pela Ciência, os novos curandeiros mostram resultados na prática. Por conta disso, a procura por métodos como reiki, do-in, shiatsu e acupuntura e cromoterapia tem aumentado.

Os terapeutas, no entanto, ainda são vistos com ceticismo. Há muito preconceito, gente que não sabe o que é, que tem medo, reclama Noêmia Demoro. Após 30 anos como enfermeira, ela adotou as terapias que chama de holísticas, por trabalharem com o ser humano integralmente.

Não é nada oculto, não acho que seja misticismo. Trata-se de energia. Está em toda parte, tudo mundo tem, mas precisa ser trabalhada para que fique em harmonia com a pessoa e com o próximo, ensina.

Terapeuta reiki, Márcia Regina Coimbra é radicalmente contra a mistificação. Reiki é um fato. Existem sistemas que estudam o magnetismo do corpo, é comprovado pela física, sustenta. É uma técnica, uma capacidade que todo ser humano tem, afirma. Para ela, a mistificação está ligada a uma necessidade do ser humano de ter verdades prontas.

Reconhecido pela Organização Mundial de Saúde, o reiki tem sua origem no Tibete. A origem da palavra quer dizer energia universal de vida. Não é cura pelas mãos, é um tratamento com energia, ensina Márcia.

A linha filosófica oriental trata a causa e não o efeito. A idéia é disciplinar o ser humano, voltar ele para ele mesmo, diz. Terapeuta há oito anos, ela tem uma posição bem particular, não cobra pelo tratamento. É a minha linha. Sempre trabalhei no sistema curandeiro, apesar de ser fisioterapeuta formada. O curandeiro é uma pessoa que busca o bem-estar dos outros, defende.

A psicóloga Ana Cristina Pereira, adepta da linha transpessoal, também nega o misticismo. Depois da física quântica está provado que não existe mistério. O poder está dentro da criatura humana, conclui.

De acordo com ela, que usa cromoterapia e cristais em suas sessões, o terapeuta tem que ajudar o paciente a encontrar o sagrado de todas as maneiras que puder. Ele é uma ferramenta, não deve estar nunca em uma posição autoritária, afirma.

Acupunturista há 21 anos, Aldeir Amarília, o Pancho, diz que atribuir propriedades místicas para as terapias holísticas é coisa de brasileiro. Trabalhamos com o campo energético de cada pessoa, nos 12 canais condutores de energia, os meridianos, onde cada canal representa um órgão e uma víscera. Cada um tem uma energia yin e uma energia yang, diz. Uma dor de cabeça, por exemplo, normalmente provém de um desequilíbrio do fígado e da vesícula biliar, completa.

Única das terapias aceitas pela Ciência, a acupuntura é, na verdade, a mãe do shiatsu e do do-in, normalmente confundidos com massagem, por serem feitos com as mãos, deixando as agulhas de lado. No do-in trabalhamos com os pontos de cada meridiano, no shiatsu, com os meridianos, ensina Pancho. De acordo com ele, a acupuntura tem mais propriedades curativas, enquanto que do-in e shiatsu servem mais para equilibrar a energia das pessoas e relaxá-las das tensões do dia-a-dia.

Segundo Pancho, uma terapia muito usada nos dias de hoje é a reflexologia. Nesta, o terapeuta pressiona os pontos do pé para tratar todo o corpo. Fora isso, ele diz que a acupuntura desenvolveu-se muito, é capaz de diagnósticos precisos e conta com a ajuda da tecnologia para a eletroacupuntura, na qual são empregados eletrodos. Outra opção é a auriculoterapia, que explora os pontos da orelha.

Para Noêmia Demoro, que também domina as técnicas de acupuntura e suas variações, as terapias holísticas podem ser aplicadas em pacientes que recebem outros tipos de tratamento, sem interferência entre as áreas. Hoje, a saúde é física, mental, espiritual e energética, afirma. Para ela, a meditação também pode ser uma grande arma para os tratamentos.

As pessoas precisam se redescobrir. Tem gente que não pisa mais na terra, não olha para a lua, não sente o calor do sol. Isso contribui para o desequilíbrio, para o mal-estar, diz. Depois de encontrada, centrada, a pessoa muda, fica mais seletiva, a conduta é outra. Você deixa de ser manipulado, completa.

O ceticismo, o racionalismo da Ciência tiveram um papel importante para arrebentar a fé cega da Idade Média. Mas com o tempo fez com que o ser humano perdesse a conexão com o sagrado. Meu trabalho é ajudar a reestabelecê-la. A grande magia, a grande força estão na criatura humana, defende a psicóloga Ana Cristina.

Como nas religiões pagãs, ela também questiona a figura de Deus como masculina. É uma energia, não é masculino, nem feminino, polemiza.

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