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PERFIL ELEITORAL

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Estava conversando com Dilonei, um personagem real com nome fictício, sobre as múltiplas faces do eleitor brasileiro. Além de todas as características já conhecidas, desde que o sufrágio universal foi instituído, tais como, a passividade para com os corruptos, o espírito conservador e altaneiro antes de cada novo pleito, a famosa amnésia (é impossível cobrar se você não lembra em quem votou ? ). O Rei Pelé disse que o povo brasileiro não sabia votar, opinião com a qual não concorda Dilonei, que jamais jogou futebol e pensa que Pelé nasceu em Bauru e jogou pelo Norusca antes de seguir para a Vila mais famosa.

Mas voltemos ao voto, e aos nossos eleitores e suas várias transformações antes, durante e após cada nova eleição.

Para não nos arrastarmos muito usarei apenas as três últimas eleições (1990,1994 e 1998 ) , conhecidas como era Fernandista da República, por ser ocupada por Fernando Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso ou era da década perdida, em virtude do alto índice de desemprego, da corrupção desenfreada, dos vendilhões do patrimônio nacional, da escuridão moral, dos impostos escorchantes, da desfaçatez enebriante e da violência urbana e rural digna de guerrilha.

O primeiro perfil a ser abordado é o Conservador Metafísico, popular Maria vai com as outras, acredita em duendes, saci pererê , Rede de Televisão, boatos à véspera da eleição, e, tudo quanto é sujeira usada pela classe dominante para vencer a eleição. Geralmente, após a eleição retira os adesivos do automóvel e tem vergonha de falar em público do candidato que ajudou a eleger com seu voto covarde, e está exterminando com a classe média. Esse eleitor votou em Collor e FHC sem titubear.

O segundo perfil é o do Liberal Globalizado, que ao contrário do que se possa imaginar, é uma caixa de ressonância da massificação que a grande imprensa nos impõe diariamente. Pensa que o Brasil vai do Sul ao Sudeste, e que São Paulo é o melhor espelho para se analisar a situação do povo brasileiro. Tem horror a esquerda, embora não saiba explicar o porquê, só vota em candidatos de direita. Eleitor de Maluf, apoiou Collor e FHC. Sofre muito quando o segundo turno fica entre a direita e a extrema direita.

O terceiro tipo a ser abordado o Alienado Nacional, infelizmente encontrado em grande quantidade em todas nas classes sociais C,D e E. Está presente em todo território nacional. Não lê jornais nem revistas de grande circulação. É fã incondicional de Ratinho. Gugu, Hebe e Luciana Gimenez. Não assiste documentários nem programas de jornalismo. Faz questão de dizer que é apolítico quando questionado sobre problemas do cotidiano nacional. Vota sem a mínima convicção, sem consciência e sem vergonha do que pode acontecer no dia seguinte graças ao seu voto. Esse tipo já ajudou a eleger Sergio Naya, Hildebrando, João Alves, Fleury, Celso Pitta e Izzo Filho e muitos outros que não vale a pena lembrar.

Como podemos perceber somos uma silenciosa e angustiada minoria que precisa acordar para buscar novas alternativas de poder. Buscar novas lideranças estudantis e operárias para tentar reverter essa mesmice em que se transformou o quadro político partidário nacional.

Precisamos persistir na busca de candidatos que prezem a ética, a transparência e a participação popular nas decisões de governo. Gente que defenda o ser humano e a natureza com a mesma intensidade e vigor. (Rafael Moia Filho - rmoiaf@uol.com.br )

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