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Tilé: história contada na madeira

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 1 min

Artista leva, em média, 200 horas de trabalho para entalhar seus quadros; projeto de contar os 500 anos de Brasil por meio de sua obra empacou no patrocínio

Tilé, como prefere ser chamado, é um desses artistas anônimos do interior de São Paulo que produzem arte de extremo bom gosto, mas ainda tem de dividir seu tempo com outra atividade profissional.

O agente penitenciário de 33 anos de idade, quando pode, dedica-se a entalhar quadros em madeira, com perfeição técnica e cuidado com os detalhes, estes, riquíssimos. Na arte, ele está há 10 anos. Começou consertando violões e construindo instrumentos musicais, no ofício da luthieria.

Hoje, em sua casa, em Presidente Alves, usa formões feitos à mão para dar vida a pranchas de madeira. Suas preferidas: a cerejeira, mogno e o cedro, esta última, mais por amor à nossa região, diz, já que se trata de uma espécie fácil de ser encontrada por aqui, porém, muito mole, difícil de trabalhar.

Um quadro de Tilé leva, em média, 200 horas de trabalho. Embora renda-se, às vezes, aos comerciáveis retratos de cavalos, bois e santas-ceias da vida, seu tema de trabalho atual é a história do Brasil.

Queria fazer uma série de pelo menos 20 quadros contando as várias fases da história, desde o ciclo da cana-de-açúcar, o garimpo, até chegar nas máquinas e computadores, explica.

Alguns desses temas já foram trabalhados em quadros como Sem Teto, Engenho e A Safra. A dificuldade de levar à diante sua proposta esbarrou, como sempre, no dinheiro. Viver de arte nesse país é passar fome, desabafa.

No entanto, aqui está a oportunidade de ver um artista dando forma à sua criação. Interessados em fornecer material de trabalho a Tilé podem entrar em contato pelo telefone (14) 577-1452.

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