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Projeto aponta falhas e sugere vida nova ao centro de Bauru

Redação
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Da afinidade com a área de planejamento urbano de uma jornalista, Gláucia Copedê Piovesan, e de uma profissional de relações públicas, Ronise Frediani Motta (foto), nasceu um minucioso projeto de requalificação da área central de Bauru, intitulado Um despertar para o turismo local. O trabalho foi resultado do curso de pós-graduação lato sensu realizado por elas na área de Planejamento e Marketing Turístico, sendo que ambas são integrantes do Conselho Municipal de Turismo (Comtur).

O tema vai de encontro aos estudos que estão sendo realizados pela Secretaria de Planejamento (Seplan) da Prefeitura Municipal de Bauru, no sentido de desenvolver e colocar em prática um projeto de revitalização do centro da cidade, que engloba, inclusive, a recuperação das fachadas dos prédios e lojas dessa área.

Um dos princípios básicos que estimulou Ronise e Gláucia a desenvolver esse projeto foi a deterioração da área central da cidade, com problemas como a poluição visual que atinge estabelecimentos comerciais e a falta de atrativos para a população. A necessidade de investir no turismo local também é amplamente abordada no projeto, já que Bauru tem uma localização central privilegida no Estado de São Paulo, num entroncamento rodo-hidro-ferroviário. O acesso à cidade é fácil, através de rodovias duplicadas, da hidrovia Tietê-Paraná, aeroporto e estrada de ferro.

O comércio central de Bauru sempre teve papel de protagonista no desenvolvimento da cidade, juntamente com a ferrovia. Durante décadas, era neste local que a população bauruense e de outras cidades da região fazia suas compras, se divertia com a família e encontrava os amigos. Mas, alguns fatores sócio-econômicos que marcaram o século passado, como a revolução industrial, o surgimento dos shopping centers e a abertura de novos mercados de consumo mudaram o panorama das cidades e transformaram essa realidade no mundo todo, observam as autoras do projeto.

De acordo com elas, assim como ocorreu em muitas cidades de médio e grande porte, Bauru passou a sofrer um processo de degradação da área central. O que se tem visto, atualmente, é uma imagem caótica do trânsito, a deterioração dos prédios históricos, poluição visual e sonora, camelôs por toda a parte e ausência de total de locais de lazer e entretenimento. Por isso, antes de correr o risco de decretar a falência do comércio nessa área e enterrar uma importante fase da história bauruense, torna-se urgente definir um plano de ação que permita a reestruturação de alguns locais para recuperar a identidade cultural de um povo e preservar o patrimônio público, afirmam Ronise e Gláucia.

De acordo com o que consta no projeto, durante a década de 60 foi tão expressivo o aumento dos estabelecimentos comerciais que foram se instalando na rua Batista de Carvalho que, em 1974, já havia várias redes de lojas de departamentos na cidade, como a Modelar, Ducal, Elite, Riachuelo, Pernambucanas e outras. O crescimento demasiado da cidade levou Osvaldo Rasi a prever, em 1974, que o comércio começaria a ter problemas e iniciaria uma descentralização para outras áreas, o que acabou se concretizando. A região central passou a ter problemas de congestionamento, dificultando o acesso dos consumidores. A falta de estacionamentos e a ausência de um calçadão, na época, foram piorando a situação e o comércio acabou apostando na avenida Duque de Caxias, relembram.

Em 1989 foi inaugurado o Bauru Shopping Center, que passou a concorrer diretamente com o comércio central, que tentou se modernizar com o Calçadão. Sete anos após a construção do Calçadão, o que se tem visto é uma grande poluição visual, má estruturação e falta de atrativos. Implantar um projeto de requalificação traria vida nova ao centro comercial de Bauru, afirmam Ronise e Gláucia. Segundo as autoras do projeto, a degradação de áreas urbanas centrais é um fenônemo bastante comum em cidades que adquirem porte médio e grande. Essas áreas começam a ser substituídas por outras na função de centro de atração de investimentos e de consumo de setores mais abastados.

Requalificação x vitalidade

De acordo com o conteúdo de um dos capítulos do projeto, a requalificação dos centros urbanos deve se caracterizar não somente por critérios funcionais, como também políticos, sociais e ambientais. Esses critérios conferem às intervenções uma nova vitalidade, não só econômica, mas também social. Existem cinco características básicas que devem estar presentes nas intervenções de revitalização de centros urbanos: humanização dos espaços coletivos produzidos, valorização dos marcos simbólicos e históricos existentes, incremento dos usos de lazer, incentivo à instalação de habitações de interesse social, preocupação com aspectos ecológicos e participação da comunidade na concepção e implantação, dizem as autoras do projeto.

De acordo com Ronise e Gláucia, os estudos desenvolvidos por elas mostram que a requalificação de áreas centrais pode ser executada através de muitas formas, considerando os setores envolvidos e as diversas variáveis em questão. As principais iniciativas seriam a reabilitação de áreas abandonadas com o processo de revitalização; restauração do patrimônio histórico e arquitetônico; reciclagem de edificações, praças e parques; tratamento estético e funcional das fachadas de edificações, mobiliário urbano e elementos publicitários; redefinição dos usos de solo invertendo prioridades nas vias públicas; melhoria do padrão de limpeza e conservação dos logradouros; reforço da acessibilidade por transporte individual ou coletivo, dependendo da situação; organização das atividades econômicas.

O prédio da estação ferroviária de Bauru, que está abandonado, é um dos pontos negativos apontados por Ronise e Gláucia no projeto e que, segundo elas, poderia receber diversos incrementos e mudar totalmente as atuais características do local. Há a sugestão, inclusive, de ceder espaços do prédio para exposições de trabalhos artísticos.

O maior problema daquele lugar é ficar abandonado. À noite, torna-se ideal para a reunião de marginais. Se a sede da Prefeitura Municipal for transferida para lá, como vem sendo cogitado, continuarão ocorrendo os mesmos problemas, porque à noite o prédio estará fechado. Uma opção seria levar apenas um posto de serviço da prefeitura para agilizar procedimentos como pagamentos, consultas e serviços rotineiros. O restante do espaço do prédio poderia ser utilizado para dar oportunidade aos artistas e artesãos locais mostrarem suas obras, realizar exposições temporárias, promover a venda de artesanato. O museu ferroviário e o museu histórico municipal também poderiam ser integrados ao parque ferroviário, dizem.

Para as autoras do projeto, a recuperação da velha locomotiva existente no local poderia servir como incentivo ao turismo, realizando passeios para visitantes. Banco 24 horas, telefones públicos, caixas de correio, posto de atendimento médico e a realização de eventos também fazem parte das idéias de Gláucia e Ronise para o local. Além disso, segundo elas, ao menos parte dos trilhos poderiam ser transformados em uma ciclovia, o que facilitaria o trânsito de bicicletas dos trabalhadores que utilizam a avenida Rodrigues Alves, sempre com intenso movimento de veículos.

A praça Machado de Mello também é alvo de propostas. Segundo o projeto de requalificação, a remodelação da praça é essencial para a recepção dos turistas. No local, haveria um posto de atendimento para receber as pessoas que estivessem buscando por informações sobre Bauru. Nesse posto estariam disponíveis mapas, panfletos e outros materiais de divulgação, como um catálogo incluindo dados sobre a quantidade de hotéis, horários dos vôos no aeroporto municipal, dicas de restaurantes, indicações de atrações turísticas e de lazer.

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