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Asfalto comunitário vira tábua de salvação

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

O asfalto pago já foi contratado em pequenos trechos de dois bairros e deve chegar a outros quatro que obtiveram autorização. Prefeitura sabe que pavimentação não pode ficar restrita ao programa

Recobrada do sonho do asfalto gratuito, prometido exaustivamente pelo prefeito cassado Antonio Izzo Filho, a população bauruense, notadamente a residente na periferia, entendeu que terá de pagar se quiser ter a benfeitoria à porta de casa. Enquanto a Prefeitura não deslancha um programa de pavimentação - com início previsto para 2002 -, o caminho vem sendo o asfalto comunitário, um projeto que vem vingando timidamente depois de provocar uma longa batalha entre Executivo e Legislativo.

As empreiteiras H.Ai dar, Jaupavi e Engetrix estão autorizadas a executar as obras, mas só a última, até o momento, está a campo. É uma área complicada para atuar, porque a resistência da população supera a insatisfação de não ter o asfalto. Além disso, é um trabalho árduo que exige muita paciência, pois temos de correr atrás dos potenciais interessados, promovendo reuniões nos bairros e, posteriormente, batendo de porta em porta em busca de adesões, enumerou Areonth de Assumpção Rosa, sócio-proprietário da Dynabase, subempreiteira da Engetrix.

Desde que o programa foi legalmente autorizado, no início do ano, 600 contratos foram fechados para a pavimentação de oito diferentes trechos. O trabalho já foi concluído em duas ruas do Jardim Hojas e em outras várias do Jardim Olímpico. No momento, as máquinas da empresa já estão no Jardim Vânia Maria; na seqüência, o asfalto comunitário será executado também nos parques dos Eucaliptos, Júlio Nóbrega e Paulista. Na Secretaria Municipal de Obras, existem pedidos de autorização oriundos do Jardim Chapadão - onde a necessidade de galerias deve adiar o asfalto para 2002 -, Jardim Mendonça - também na dependência de galerias - e Jardim Carolina, que já havia solicitado análise no ano passado, mas não obteve aprovação porque o número de participantes não atingiu o mínimo exigido.

Vale deixar bem explicado que o asfalto comunitário é executado única e exclusivamente nas ruas onde pelo menos 75% dos moradores aderem ao programa. Os 25% restantes são feitos pela Prefeitura, que, da mesma forma que a empresa, cobra pela melhoria. Nos bairros que já contrataram o programa é possível observar ruas asfaltadas entrecortadas por vias de terra. O que parece um aspecto negativo à primeira vista, é estratégico na visão da empresa. A coisa começa a deslanchar quando a vizinhança vê as melhorias da rua asfaltada ao lado. O pessoal se anima, comemora o empreiteiro.

A consolidação efetiva do programa, acredita Rosa, deverá ocorrer em breve, tão logo a Engetrix instale um escritório em Bauru (a sede deverá ocupar uma das salas do 14.º andar do Edifício Caravelas). Muita gente até tem vontade de conhecer o programa, mas não sabe onde e quem procurar. O escritório vai ser esse referencial que faltava, acredita.

A qualidade e o preço do asfalto, segundo o dono da empresa, seguem as diretrizes impostas pela Prefeitura. O asfalto é o usinado a quente, o mais adequado para o solo permeável de Bauru. Se não tiver uma base muito boa e uma capa de qualidade, a pavimentação fica ruim, mas primamos em cumprir as exigências, assegura Rosa, que sabe da possibilidade de embargo sumário da obra em caso de quaisquer irregularidade ou desobediência constatadas.

Pelo contrato que mantém com a Administração, o asfalto passa ao poder da municipalidade tão logo concluído e quitado. Essa cláusula se faz imprescindível para que a Prefeitura tenha poder de executar serviços de manutenção ou reparo.

O preço pago pelos beneficiários varia muito conforme o tamanho do lote, mas a média é de R$ 700,00, ultrapassando os R$ 1.300,00 quando o terreno é de esquina - o preço encarece quando o serviço inclui colocação de guias e sarjetas. É o preço de uma geladeira nova ou uma TV 29 polegadas, compara o secretário de Obras Edmilson Queiroz Dias.

Para viabilizar o asfalto comunitário, a Engetrix afirma ser impossível cobrar fixo pelo metro quadrado. Se fizéssemos por metro quadrado, não conseguiríamos asfaltar um único quarteirão. Trabalhamos com o rateio do custo total do trecho pelos lotes existentes. Quando o lote é subdividido, os proprietários repartem a despesa, explicou.

Os optantes do programa têm várias formas de pagamento: de uma só vez, com desconto de 10%, na entrega da obra; em três parcelas sem juros, também na entrega, e em até 24 meses a partir do início da execução dos trabalhos. É claro que os juros aumentam na proporção em que as prestações se estendem.

Segundo dados do setor imobiliário, o investimento vale a pena. Um terreno avaliado em R$ 15 mil chega a uma valorização de mais de 40% com o asfalto. O aspecto de limpeza de uma rua asfaltada também favorece o preço de mercado.

É justamente por pagar pelo benefício que a população precisa estar atenta ao serviço contratado. Observar de perto o trabalho, comparando-o com as especificações contratuais, é uma boa dica.

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