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Estudantes priorizam política e deixam a educação em 2º plano

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Os estudantes universitários que estão participando do V Congresso da União Estadual dos Estudantes (UEE), que termina hoje em Bauru, não estão conseguindo cumprir o objetivo do encontro, que seria o de discutir soluções para os problemas do ensino do 3.º grau. O movimento estudantil organizado que, pelo menos teoricamente, deveria debater mais as questões do ensino, priorizou a disputa ideológica/partidária.

Durante as discussões e debates que ocorreram nos três dias de congresso, foram discutidos temas políticos como a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), as ideologias e atuação dos partidos que estão no poder e as propostas de outros partidos que pretendem alçar vôo em busca de cargos políticos.

Durante o dia de ontem, vários estudantes estiveram reunidos na Universidade Estadual Paulista (câmpus da Unesp) de Bauru discutindo sobre a atual presidência da UEE. A oposição questionava o comportamento dos dirigentes em relação ao congresso. Isso aqui é uma palhaçada, ninguém quer resolver nada, dizia uma estudante, que recebia muitas vaias de seus colegas.

De acordo com o estudante de jornalismo da Universidade de Guarulhos, Alan Gomes, 22 anos, o movimento estudantil não tem a cara que deveria ter. Esse movimento tem que ser mais diversificado, garantindo um espaço para o estudante sem restrição. Independente do grupo e do partido de cada pessoa, todos devem poder emitir opinião, disse.

Para ele, nas décadas de 60, 70 e até 80 a ditadura militar influenciou no perfil do movimento estudantil, fazendo-o forte para enfrentar situações até mesmo de morte de vários dirigentes. Hoje, segundo Gomes, as pessoas são mais individualistas e, por isso seria, difícil identificar quem é o inimigo da escola e por que a faculdade está em condições consideradas ruins. A dificuldade de se chegar a um acordo quanto a quem é o grande inimigo dos estudantes dificulta a atuação do movimento estudantil e a atuação das pessoas também é menor porque elas têm outras preocupações, afirmou.

Para ele, atualmente, é muito difícil unir os estudantes em busca do mesmo objetivo porque cada um tende a um lado político e quer discutir ideologias distintas. Nós estamos tentando construir uma união maior nesse congresso, disse.

Ascensão

De acordo com o presidente da UEE, Daniel Vaz, o movimento estudantil está em ascensão. Mesmo com a falta de discussões em prol da melhoria na educação, Vaz acredita no lado positivo e benéfico do V Congresso. É um congresso que marca uma ascensão tanto da nossa entidade como do movimento estudantil. Contamos com a participação de, aproximadamente, duas mil pessoas, disse.

Ele explicou que o V Congresso é diferente no seu formato porque abre espaço para discussões gerais das universidades, de movimento estudantil, de conjuntura nacional e também para outros temas como esporte, cultura, ciência e tecnologia. Esse formato propicia uma discussão não só no meio político que é da nossa natureza, mas também para outras formas, respaldando a UEE junto aos estudantes, afirmou.

Sobre a individualidade das pessoas ligadas ao movimento estudantil, Vaz afirmou que isso é um reflexo da sociedade. Isso de individualismo é problema da sociedade. Nós tentamos trabalhar com solidariedade para lutar por uma união mais forte, disse.

Vaz disse que o estudante deve ser um jovem que se preocupe com os problemas do País. O perfil de estudante que defendemos é aquele que se preocupa com os problemas que ocorrem fora do seu ambiente de estudo. Acho que isso ajuda a termos uma sociedade mais justa, diferente da que temos hoje, explicou.

Na abertura do congresso, estiveram presente o presidenciável Ciro Gomes (PPS) e do senador Roberto Freire (PPS). Nós convidamos representantes de vários partidos políticos, mas só compareceram os representantes do PPS na abertura do congresso que na verdade é um ato político que referência e define as linhas gerais do congresso. Eu entendo que não dá para a gente confundir partidarização com politização. O que tentamos fazer é politização, mas participam de tudo, pessoas que têm um posicionamento mais partidário. Nós não temos o direito de cassar as palavras dessas pessoas, mas o posicionamento da UEE é de uma amplitude cada vez maior, disse.

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