Geral

Como usar a grande receita?

(*) N. Serra
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Tem-se mostrado preocupadíssimo o presidente Fernando Henrique Cardoso a propósito do destino que ele terá de conseguir para a enorme arrecadação financeira que o seu Governo deverá realizar, no ano 2002, de acordo com as previsões de seus melhores técnicos. De que maneira distribuir o Tesouro Nacional, corretamente, toda a enorme receita esperada pela administração no caminhar inestancável do novo exercício? É a pergunta direta que o gestor máximo das coisas públicas nacionais vem fazendo aos seus ministros e principais colaboradores toda vez que com eles têm contato. Já a formulou várias vezes nos últimos dias e a transmitiu pela Televisão outras tantas. Pensa o chefe no enorme comboio de impostos e taxas que estará à sua disposição e não logra deixar esquecidos os problemas que isso trará, sem dúvida, à sua espinhosa cátedra. Então, o que terá de fazer para aplicá-la devidamente, em parcelas bem pesadas e melhor canalizadas aos Ministérios e demais órgãos, que dependem de dinheiro, de uma forma que nem sobrem nas suas arcas e, ao mesmo tempo, não abram facilidades para aplicações pecaminosas, inclusive desvios com objetivos notoriamente criminosos, como muitos que têm ocorrido ultimamente, sem que nem todos os seus autores estejam por aí experimentando as sombras das grades? É isso aí, não é Fernando? Eis que nunca é fácil a tomada de contas do dinheiro de terceiros, principalmente o pertencente ao erário público... Então, preciso é reconhecer-se que Cardoso está cercado de razões suficientes para toda a sua preocupação, pois lhe incumbe precipuamente a tarefa de zelar seriamente por toda a dinheirama, ainda mais agora diante dos imperativos, rigorosos como lhe deve impor a Lei de Responsabilidade Fiscal que está aí a todo vapor, e que já vem fazendo tremer nas bases os governadores e prefeitos que começam a se externar no sentido de que a tal lei não venha a pisar pesadamente nos seus doloridos calos. O dinheiro público, sob a guarda dos Ministérios, tem sempre de ser bem vigiado e protegido, a fim de que não dê moleza para ser malbaratado, haja vista que a Nação vem se saturando com tanta sangria imoral e insuportável. Veja lá, hém Presidente! Não se sinta realizado apenas com a existência da lei, mas, irrevogavelmente, com a plena aplicação dela. Sua Excelência tem o indeclinável dever funcional de impedir desperdícios e jogadas pelas janelas, especialmente no ano em que, mais uma vez, vai o País ser submetido a outro teste eleitoral para escolha de novo presidente, que poderá vir a ser o seu sucessor se a repetição de sua candidatura não o empurrar novamente para as brisas do Planalto. É a nossa opinião!

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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